Trump avalia se vai apreender ou destruir material nuclear iraniano, diz NYT; ataque poderia gerar desastre

 

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está avaliando qual o próximo passo sobre o material nuclear iraniano, noticia uma reportagem desta quarta-feira (18) do jornal New York Times. Ele possui duas opções sob a mesa, independente dos riscos: apreender o material ou destruir completamente.

O governo americano acredita que o material, quase de grau bélico, está armazenado sob uma montanha em Isfahan, no complexo nuclear.

Segundo o NYT, essa operação estaria entre as mais audaciosas e arriscadas da história americana, muito mais complexa do que matar Osama bin Laden ou capturar Nicolás Maduro.

O maior receio é, caso um ataque ocorra, um vazamento de gás tóxico e radioativo ocorra pela região. Isso aconteceria, especialmente, se um contêiner fosse perfurado. O problema é que também não se sabe exatamente onde eles estão.

Se os contêineres forem aproximados demais, no entanto, haverá o risco de uma reação nuclear acelerada.

O Irã anunciou nesta quarta-feira (18) que parte das suas instalações de petróleo e de gás natural foram atacadas pelos Estados Unidos e por Israel. Até agora, não há detalhes sobre a extensão dos danos.

As informações são da agência de notícias Tasnim, mencionando alguns dos alvos como South Pars, um campo de gás natural, e Asaluyeh, que possui instalações de petróleo e petroquímicas.

Campo de gás natural South Pars, no Irã.

Reprodução

A agência de notícias semioficial iraniana Fars informou que 'explosões poderosas' foram ouvidas em várias refinarias em Asaluyeh, relatando que 'alguns tanques de armazenamento e áreas de instalações de gás em diferentes fases' da refinaria foram atingidos.

Os funcionários foram transferidos para locais seguros, disse a agência, e as equipes de resgate estão trabalhando para apagar os incêndios.

Se confirmado, este seria o primeiro ataque às instalações de produção de petróleo e gás natural iranianas nesta guerra.

Usina nuclear de Bushehr, no Irã.

Planet Labs PBC/Divulgação

A Rússia alertou nesta quarta-feira (18) para um possível risco 'real de um grande desastre nuclear' na região do Oriente Médio após um ataque de Israel e dos Estados Unidos próximo da usina nuclear de Bushehr.

Segundo o governo iraniano, um projétil caiu perto do local, mas ninguém ficou ferido.

'Tais ações são contrárias a todas as normas internacionais sobre a imunidade de instalações nucleares contra ataques militares e podem ter consequências irreparáveis para toda a região, incluindo os países que fazem fronteira com o Golfo Pérsico', protestou o Irã nessa terça-feira (17).

A Rússia reclamou sobre o episódio junto à Agência Internacional de Energia Atômica, segundo a agência de notícias Tasnim.

O embaixador russo em Haia, Vladimir Tarabrin, criticou a breve declaração da agência da ONU, que assegurou que nenhum dano havia sido relatado.

'Não tenho certeza se a resposta da Agência é proporcional à gravidade da situação. O míssil explodiu a apenas 200 metros de um reator nuclear em funcionamento. A possibilidade de outro ataque não pode ser descartada'.

'Isso representa um risco real de um grande desastre nuclear, que poderia ter repercussões dramáticas para toda a região', alertou em publicação nas redes sociais.

Trump sugere deixar que outros países garantam a segurança e gestão do Estreito de Ormuz

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Divulgação/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu nesta quarta-feira (18) a ideia de entregar a gestão do Estreito de Ormuz aos países que o utilizam.

Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump escreveu que, após 'acabar' com o governo do Irã, deixar o controle do Estreito para 'os países que o utilizam - não nós - ficassem responsáveis'.

'Isso abalaria alguns de nossos "aliados" indiferentes se mexessem, e rapidamente!!!', comentou.

Trump vem criticando as nações europeias depois que elas rejeitaram suas exigências de enviar navios de guerra para escoltar petroleiros através do estreito. Muitos líderes disseram que poderiam estar dispostos a se juntar a uma coalizão para patrulhar a região em disputa assim que as hostilidades cessarem.

Nesta terça-feira (17), os Estados Unidos disseram ter utilizado bombas de penetração profunda contra baterias antinavios do Irã ao longo do Estreito de Ormuz. O objetivo dos americanos é reabrir o local, que Teerã mantém fechado desde o início da guerra.

O estreito é uma passagem controlada pelos iranianos por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde que foi atacado, o Irã fechou a via, bloqueando o avanço de petroleiros, o que elevou o preço da commodity nos mercados internacionais.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nessa terça que 'não vai demorar muito' para que os navios possam atravessar o Estreito. Segundo ele, a Otan está 'cometendo um erro muito tolo' ao não querer ajudar os americanos na guerra contra o Irã e no desbloqueio da passagem marítima.

Países da Ásia e da Europa recusaram o pedido para apoiar uma operação. Trump disse que poderia ter pressionado os aliados, mas que não precisa de ajuda. Questionado sobre o aumento dos preços em consequência do conflito, Trump disse que o objetivo é impedir que 'lunáticos' tenham armas nucleares. Ele prometeu que o valor do barril de petróleo vai cair em breve, com o fim da guerra.

O presidente também criticou o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos. Joe Kent renunciou ao cargo dizendo, nas redes sociais, que não poderia, em sã consciência, apoiar a guerra. O republicano disse ser 'bom' que ele esteja fora do governo.

Os ataques de Israel nessa terça-feira mataram dois dos principais nomes do regime iraniano. Um deles foi Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã. Ele era classificado por Tel Aviv como o 'comandante efetivo' do país desde a morte do aiatolá Ali Khamenei. O outro foi Gholamreza Soleimani, comandante de uma unidade da Guarda Revolucionária, apontado como o responsável pela repressão violenta a protestos em janeiro.

O Irã também atacou Israel. Projéteis atingiram o entorno do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Teerã usou novamente um armamento conhecido como 'bomba de fragmentação' em retaliação à morte de Ali Larijani.