Trump anuncia que vai retirar Guarda Nacional de Chicago, Portland e Los Angeles
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira que vai retirar as tropas da Guarda Nacional de Chicago, Los Angeles e Portland, após uma série de reveses judiciais decorrentes de suas ações em cidades governadas por democratas. O presidente republicano mobilizou efetivos em diversas cidades governadas por democratas, com o argumento de combater o crime e reforçar sua campanha contra os imigrantes em situação irregular.
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"Voltaremos, talvez de uma forma muito diferente e mais forte, quando a criminalidade começar a aumentar novamente. É só uma questão de tempo!", escreveu Trump ao anunciar a medida em sua rede social Truth Social.
Na semana passada, a Suprema Corte americana havia bloqueado a ordem de Trump de enviar tropas da Guarda Nacional para Chicago. O presidente afirma que a movimentação é necessária para combater o crime e proteger os agentes de imigração e suas instalações na terceira maior cidade do país. A decisão dos juízes, até então preliminar, impedia apenas por ora que o governo enviasse a força militar estadual para a região de Chicago, onde uma repressão à imigração resultou em milhares de prisões e confrontos entre moradores e agentes federais.
Já no início do mês, um juiz federal determinou que o governo Trump encerrasse imediatamente o envio da Guarda Nacional da Califórnia em Los Angeles, ao concluir que a permanência das tropas se tornou ilegal após o fim dos distúrbios que justificaram a federalização. A medida impactou cerca de 100 soldados que permaneciam na cidade seis meses depois dos protestos que tomaram as ruas durante o verão.
Trump havia convocado cerca de 4 mil militares da Guarda Nacional da Califórnia em junho, apesar das objeções de autoridades estaduais e locais, alegando necessidade de proteger instalações e agentes federais durante protestos intensos contra operações de imigração. Ao longo do segundo semestre, o contingente foi sendo reduzido até chegar aos 300 soldados no mês passado, com plano de manter 100 militarizados até fevereiro.
A Califórnia, contudo, argumentou que a situação de emergência que autorizou a federalização havia cessado. Em pedido de liminar apresentado em novembro, a procuradora-geral adjunta Meghan Strong afirmou que a lei só permite o comando presidencial enquanto houver uma emergência “atual”. “Assim que essa situação passar, a federalização terá que terminar”, disse.
Críticos argumentam que a lei federal proíbe o uso de tropas militares para aplicação da lei em território nacional, enquanto defensores dizem que o auxílio das tropas aos agentes federais e à polícia local tem sido legal e necessário.
Grande parte da disputa decorre da natureza híbrida da Guarda Nacional, que é simultaneamente um componente das Forças Armadas nacionais e um recurso à disposição dos governadores estaduais para lidar com necessidades civis.
