Trump ameaça processar apresentador do Grammy após piada da relação entre ele e Epstein

 

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou em uma publicação nas suas redes sociais processar o apresentador do Grammy, que ocorreu nesse domingo (1). Trevor Noah, em um momento da festa, fez uma piada com Trump falando sobre a Groenlândia e de que ele teria ido, com Bill Clinton, para a ilha de Jeffrey Epstein.

'Canção do Ano - esse é um Grammy que todo artista deseja quase tanto quanto Trump deseja a Groenlândia, o que faz sentido, já que a ilha de Epstein não existe mais, ele precisa de uma nova para ficar com Bill Clinton', afirmou.

Em um texto no Truth Social, Trump chamou a cerimônia, marcada por discursos contra as políticas de imigração dele e atuação do ICE, como 'a pior'. A principal premiação da noite, de Álbum do Ano, foi vencida inclusive por um imigrante, o porto-riquenho Bad Bunny.

'Noah disse, INCORRETAMENTE sobre mim, que Donald Trump e Bill Clinton passaram um tempo na Ilha de Epstein. Não posso falar por Bill, mas nunca estive na Ilha de Epstein, nem perto dela, e até a declaração falsa e difamatória desta noite, nunca fui acusado de estar lá, nem mesmo pela mídia de notícias falsas'.

Trump completa pedindo a Noah que 'se informasse melhor' e ameaçando processar o comediante.

Um e-mail de um procurador de Nova York, divulgado no mês passado, afirmava que Trump voou no jato particular de Epstein 'muito mais vezes do que se havia relatado anteriormente'.

Em um e-mail datado de janeiro de 2020, o procurador conta que os registros mostram que Trump voou no jatinho particular do criminoso sexual em oito ocasiões durante a década de 1990. Apesar disso, não há registros de idas para a ilha.

A mais recente divulgação dos arquivos Epstein, de três milhões de documentos, citam Trump em diversas ocasiões. Em resposta, o republicano afirmou que elas o inocentaram.

'Eu mesmo não vi, mas algumas pessoas muito importantes me disseram que isso não só me absolve, como é o oposto do que as pessoas esperavam, sabe, a esquerda radical'.

Documentos mostram que adolescente teria sido forçada a fazer sexo oral em Trump

Jeffrey Epstein e Donald Trump em foto juntos.

Reprodução

Arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta sexta-feira reúnem milhões de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, bilionário condenado por crimes sexuais e acusado de comandar um esquema de abuso e tráfico de meninas menores de idade.

Os arquivos incluem registros sobre a prisão, avaliações psicológicas e a morte de Epstein em 2019.

Nos materiais, o presidente Donald Trump é citado centenas de vezes e aparece em uma lista do FBI com denúncias recebidas por meio de uma linha telefônica oficial.

Entre as alegações, está a de que, décadas atrás, em Nova Jersey, uma adolescente de 13 ou 14 anos teria sido forçada a praticar sexo oral em Trump.

A vítima teria mordido o pênis do presidente e relatado o caso para outras pessoas, de acordo com a denúncia

A acusação não apresenta provas documentais nos arquivos, e o presidente não se manifestou sobre essa denúncia.

A divulgação representa o maior volume já tornado público sobre o caso Epstein, com cerca de 3 milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos.

Os documentos também inlcuem as investigações que levaram à condenação de Ghislaine Maxwell [Guilein], ex-namorada de Epstein, por tráfico sexual de menores. Ela recrutava adolescentes para Epstein e ajudava a encobrir os crimes

Os arquivos recém-divulgados também expõem a relação de Epstein com figuras poderosas. Entre os documentos, aparecem alegações envolvendo Bill Gates, incluindo e-mails atribuídos a Epstein com acusações graves.

Gates nega todas as acusações, e as classificou como absurdas e falsas, e afirmou que os textos refletem apenas o ressentimento de Epstein após o fim da relação entre ambos.

Há ainda registros de contato direto com o então Duque de York, Andrew Mountbatten-Windsor [Meuntbadrer], tratando de encontros privados e apresentações de mulheres. Não há provas de ilegalidades nesses e-mails, e o duque nega qualquer irregularidade.

Apesar da divulgação, democratas acusam o Departamento de Justiça de reter milhões de páginas sem justificativa adequada.

Muitos documentos vieram com cortes extensos, oficialmente para proteger vítimas e investigações em andamento, o que mantém dúvidas sobre a transparência total do processo.

O Departamento de Justiça afirmou que as acusações contra Donald Trump são “infundadas e falsas”, e as classificou como sensacionalistas e sem credibilidade.

O órgão acrescentou que, se houvesse qualquer base concreta, essas alegações já teriam sido usadas judicialmente.

Trump nunca foi acusado formalmente por vítimas de Epstein e nega qualquer envolvimento em crimes sexuais.