Trump afirma que Irã procurou EUA para 'negociar' após ameaça sobre resposta militar a repressão a protestos

 

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que representantes do regime do Irã procuraram autoridades americanas buscando negociar, após as repetidas ameaças feitas pelo republicano sobre intervir militarmente no país, caso Teerã matasse manifestantes em meio a protestos antigoverno que tomaram dimensão nacional. A declaração foi feita por Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, em um momento em que organizações de direitos humanos denunciam que o número de mortos em meio à repressão esta aumentando.

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— Os líderes do Irã ligaram ontem. Uma reunião está sendo marcada... Eles querem negociar — disse Trump, que também fez ameaças a Teerã. — Talvez tenhamos que agir antes da reunião.

A manifestação do presidente americano ocorre após mais de duas semanas de protestos, que foram inicialmente motivados por queixas econômicas, transformando-se em um dos maiores atos públicos de questionamento ao regime teocrático. Em resposta, autoridades do regime impuseram um bloqueio à internet que já dura mais de três dias e meio e que, segundo ativistas, visa mascarar a extensão da repressão violenta.

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Pouco depois do início das manifestações, Trump e seus aliados em Israel — rivais regionais de Teerã — declararam apoio aos manifestantes, chegando a sugerir que agiriam junto a eles em solo, a fim de prestar auxílio. Autoridades do regime denunciaram o caso como uma tentativa de intervenção externa sobre assuntos do país.

Na semana passada, Trump fez uma advertência aos líderes iranianos, afirmando que interviria caso manifestantes fossem mortos. Na entrevista de domingo a bordo do avião presidencial, ele afirmou que planos militares já estariam sobre a mesa.

— Parece que eles estão começando a fazer isso — disse Trump, quando questionado se o Irã havia cruzado sua "linha vermelha" de mortes de manifestantes. — Estamos analisando a situação com muita seriedade. Os militares estão analisando, e estamos considerando algumas opções muito fortes. Tomaremos uma decisão.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse em uma conferência em Teerã, com embaixadores estrangeiros, que a república islâmica está preparada tanto para a guerra quanto para negociações.

— Também estamos prontos para negociações, mas estas devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo — disse o ministro.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, também afirmou que um canal de comunicação está aberto entre Araghchi e o enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, apesar da ausência de relações diplomáticas.

— Mensagens são trocadas sempre que necessário — disse ele, observando que, embora os Estados Unidos não tenham presença diplomática no Irã, seus interesses são representados pela embaixada suíça. (Com AFP)