Trump adverte Taiwan contra qualquer declaração de independência após encontro com Xi

 

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O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou Taiwan nesta sexta-feira contra qualquer declaração de independência, após o presidente chinês, Xi Jinping, pressioná-lo para impedir que Washington apoiasse a ilha. Trump encerrou sua visita de Estado alegando ter fechado alguns acordos comerciais "fantásticos", embora não tenha dado muitos detalhes e não tenha parecido ter feito nenhum progresso com a China em relação à guerra com o Irã.

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Trump convidou Xi para visitar Washington em setembro, indicando que ambos os lados provavelmente buscarão estabilizar as relações frequentemente turbulentas entre as duas maiores economias do mundo.

Em uma questão crucial para Xi, Trump deixou claro que se opõe a uma declaração de independência de Taiwan.

— Não quero que alguém declare independência e, sabe, depois tenhamos que viajar 15 mil quilômetros para ir à guerra — disse Trump, segundo um trecho divulgado de uma entrevista à Fox News. — Não queremos que ninguém pense: vamos declarar independência porque os Estados Unidos nos apoiam.

Trump acrescentou que ainda não havia decidido nada em relação a uma possível venda de armas para a ilha, que tem seu principal apoio militar em Washington.

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— Quero que Taiwan baixe a temperatura. Quero que a China baixe a temperatura — declarou ele.

Os Estados Unidos reconhecem apenas a China e não apoiam a independência oficial de Taiwan, mas historicamente não declararam explicitamente se se opõem a ela. Segundo a legislação dos EUA, Washington é obrigado a fornecer armas a Taiwan para sua defesa, mas não está claro se as forças americanas viriam em auxílio da ilha em caso de ataque.

Presidentes dos EUA, Donald Trump (dir.), e da China, Xi Jinping, após visita complexo governamental de Zhongnanhai em Pequim

Evan Vucci/ AFP/ 15-5-2026

Conflito

Na quinta-feira, com firmeza incomum, Xi alertou que "a questão de Taiwan é a mais importante nas relações" entre Washington e Pequim.

— Se bem administradas, as relações entre os dois países podem permanecer globalmente estáveis. Se mal administradas, os dois países entrarão em conflito, ou mesmo em guerra — disse Xi, segundo a mídia estatal.

Pequim reivindica Taiwan, uma ilha com um governo democrático, como parte de seu território desde o fim da Guerra Civil Chinesa em 1949. O governo chinês defende uma solução pacífica, mas reserva-se o direito de usar a força.

Essas conversas sobre Taiwan são talvez o ponto alto da cúpula em Pequim.

— Donald Trump conseguiu as imagens que queria, e os chineses ficaram felizes em fornecê-las a ele. Na minha opinião, tratava-se mais de fortalecer a dinâmica entre os dois países do que de alcançar resultados específicos — disse Jacob Stokes, especialista do Centro para uma Nova Segurança Americana.

A visita anunciada de Xi a Washington representará um novo teste para o frágil status quo entre as duas potências.

Bonnie Glaser, do German Marshall Fund, observou que, até lá, a China "pressionará fortemente" para que Trump se abstenha de tomar qualquer decisão sobre a venda de armas para Taiwan.

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Acordos 'fantásticos'

Pequim e Washington concordaram em continuar implementando "todos" os seus acordos comerciais existentes e em estabelecer conselhos sobre comércio e investimento, disse o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em um comunicado divulgado na sexta-feira após o encontro entre Trump e Xi.

O presidente dos EUA aludiu a alguns acordos comerciais "fantásticos" e afirmou que a China se comprometeu a comprar "200 grandes" aviões da Boeing, mas que o acordo incluía "uma promessa de 750 aviões, que será de longe a maior encomenda da história, se eles fizerem um bom trabalho com os 200".

Trump também afirmou que Xi lhe garantiu que a China "não forneceria equipamentos militares" a Teerã, país que praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o trânsito global de hidrocarbonetos.

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— Ele gostaria que o Estreito de Ormuz fosse aberto e disse: "Se eu puder ajudar de alguma forma, ficarei feliz em ajudar" — acrescentou durante uma entrevista à Fox News.

No entanto, nenhuma das declarações oficiais da China mencionou esses elementos.

Por sua vez, Xi disse que foi uma "visita histórica" ​​e que, até hoje, ambos os lados estabeleceram "uma nova relação bilateral, que é uma relação de estabilidade estratégica construtiva".

Trump minimizou alguns pontos de tensão entre as duas superpotências, como questões de espionagem, propriedade intelectual ou ciberataques atribuídos à China.

A bordo do Air Force One, o republicano disse:

— O que vocês fazem, vocês sabem, nós também fazemos. Nós espionamos vocês loucamente também. Eu disse [a Xi]: "Nós fazemos muitas coisas com vocês que vocês nem imaginam".