Troia realmente existiu? O que dizem historiadores e arqueólogos sobre famosa guerra da antiguidade

 

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Os cinéfilos e fãs de história antiga vivem a expectativa para o lançamento do filme 'A Odisseia', de Christopher Nolan, marcada para 16 de julho deste no Brasil. A adaptação da famosa obra de Homero é uma continuação direta dos acontecimentos narrados também pelo autor da antiguidade em 'Ilíada'.

Nela, Homero traz os momentos finais da famosa Guerra de Troia, provavelmente que ocorreu entre 1250 a.C. a 1184 a.C, que colocou frente a frente os gregos (na época chamado de hélades) e os troianos, após o príncipe troiano Páris ter raptado Helena, esposa do rei espartano Menelau. O conflito, lembrado até os dias atuais, é muito marcado por um de seus momentos-chave: o cavalo de Troia.

Com ele, os gregos, com extrema dificuldade de invadir os muros da cidade, resolvem fazer um cavalo e fingir que estavam dando de presente aos troianos, como se pudesse indicar o fim da guerra. O problema é que dentro dele estavam escondidos os guerreiros e, aproveitando a vulnerabilidade, conseguem adentrar os muros e vencer a guerra.

Diversos gregos fogem da ira dos deuses posteriormente, que defendiam cada um certo lado. Um deles é Odisseu, que realiza então sua saga durante 10 anos até retornar para a sua ilha, a de Ítaca. Essa é a história que será narrada no filme, assim como são nos cantos descritos por Homero.

Mas, afinal, o que dessa história é verdade?

Cavalo de Troia próximo ao sítio arqueológico de Hisarlik.

Kemal Hayit/Pexels

A história da Guerra de Troia fascina historiadores e arqueólogos, que encontraram representações sobre ela no decorrer dos séculos. O mito, que envolvia figuras dos deuses e também semideuses, tinha um lado mitológico, e que serviu, inclusive, como centralizador para originar diversas cidades posteriormente, entre elas a de Roma.

Contudo, as poucas informações não ajudavam para entender até que ponto aquilo poderia ser verdade.

Isso mudou em 1870, quando o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann anunciou a descoberta de uma cidade próxima da região que se imaginava ser Troia, na Turquia. As escavações revelaram diversas camadas de uma cidade, além de muralhas.

Porém, o que mais chamou atenção de estudiosos no decorrer dos anos foi que uma dessas camadas apresentava marcas de um grande incêndio e destruição por uma guerra. E a guerra na antiguidade termina justamente dessa forma. Essas são chamadas as camadas Troia VI e VII.

Nesse mesmo espaço também foram localizados templos de períodos posteriores, sendo eles homenageando deuses gregos e romanos.

Além de tudo, a localização do local impressiona, por ser em um ponto estratégico, ligando o Mediterrâneo ao Mar Negro. Por isso, fazia sentido imaginar esse espaço como um importante centro comercial da antiguidade.

Apesar das muitas evdências, não existe um consenso entre historiadores e arqueólogos de que as ruínas realmente são da antiga cidade de Troia. Ou até mesmo que a guerra possivelmente descoberta tenha sido a mesma. Por isso, escavações ainda seguem no local e em regiões próximas para compreender o assunto.

Sítio arqueológico na colina de Hisarlik.

Reprodução

Mesmo assim, atualmente, esse sítio arqueológico fica na colina de Hisarlik, na província de Çanakkale, atual Turquia. O local pode ser visitado.

Aproveitando o interesse de muitos visitantes, a cidade ainda possui diversos elementos que remetem ao conflito, como uma maquete do cavalo em tamanho real, além de restaurantes temáticos.