Trocas na Rioprevidência, ausência de critérios e alertas ignorados: PF aponta indícios de como Castro operou para beneficiar Master

Trocas na Rioprevidência, ausência de critérios e alertas ignorados: PF aponta indícios de como Castro operou para beneficiar Master

 

Fonte: Bandeira



Além do suposto "alinhamento político" do ex-governador Claudio Castro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal aponta série de eventos e indícios sobre uma suposta atuação do ex-mandatário para viabilizar os aportes bilionários da Rioprevidência no Banco Master, a começar pela troca da cúpula da autarquia logo antes dos investimentos.

Segundo os investigadores, tal "alinhamento" levou à "nomeação estratégica" de nomes para cargos-chave da Rioprevidência de forma a garantir que as decisões sobre a aplicação do dinheiro dos aposentados fossem conduzidas em "desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master".

A PF cita ainda "eventos e encontros custeados ou organizados" por Vorcaro em "contexto de proximidade pessoal" com Castro, assim como outras irregularidades que viabilizaram os investimentos. Segundo a corporação, foram suprimidas etapas técnicas do processo de decisão sobre onde o dinheiro dos aposentados seria aplicado e não foram apresentadas "justificativas formais idôneas" para os investimentos.

A apuração faz parte da oitava fase da Operação Compliance Zero, desdobrada da Operação Barco de Papel. Agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília. O advogado de Claudio Castro, Carlo Luchione, não comentou. Ele acompanha as buscas e informou que ainda não teve acesso à decisão que autorizou a operação.

A investigação aponta que os aportes bilionários em Letras Financeiras e fundos de investimento criados ou utilizados pelo Master se deram em desconformidade com a política de investimentos do regime de previdência e exigências regulatórias.

A Polícia Federal viu "alterações deliberadas nos procedimentos internos, credenciamentos meramente formais, ausência de análises técnicas, concentração excessiva de risco e uso de intermediários para elevação de comissões e ocultação do pagamento de vantagens indevidas".

Além disso, a corporação encontrou indícios de que as aplicações continuaram a acontecer mesmo após alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis. Os investigadores dizem que o grupo sob investigação manteve "o fluxo de recursos públicos para operações classificadas como temerárias e desprovidas de justificativa técnica".

Segundo a PF, os primeiros aportes na Rioprevidência no Master ocorreram entre outubro de 2023 e julho de 2024, em Letras Financeiras e alcançando o valor de R$ 970 milhões. Depois, a forma de investir o dinheiro dos aposentados no Master mudou, em razão de "entraves regulatórios". Assim, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, a autarquia fez aportes em fundos estruturados pelo grupo de Vorcaro, em montante que teria atingido R$ 2,01 bilhões.

"Tudo em contexto de crescente dificuldade do banco, diante de aparente crise de liquidez, tornando essencial a captação de aplicações junto a RPPSs e de substituição de instrumentos por novos produtos financeiros", sustentou a PF.