Trilhas clandestinas: como venezuelanos entram no Brasil sem passar por fiscalização na fronteira

 

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Além da travessia pela área urbana e pelo posto oficial de controle migratório, pessoas que entram ilegalmente no Brasil pela fronteira com a Venezuela têm recorrido a trilhas clandestinas abertas em áreas de savana e morros no entorno de Pacaraima, no Norte de Roraima. Esses caminhos são usados tanto por contrabandistas quanto por migrantes que tentam evitar a fiscalização reforçada no lado brasileiro da fronteira.

Na terça-feira, o GLOBO percorreu trechos de dessas trilhas, utilizadas para a entrada irregular no país. Segundo integrantes das forças federais de segurança, o uso dessas rotas alternativas se intensificou principalmente no período noturno, após o aumento da fiscalização no posto de controle brasileiro, medida adotada depois da prisão de Nicolás Maduro.

O Globo flagra venezuelanos cruzando fronteira de forma clandestina

As trilhas cortam áreas abertas da chamada savana venezuelana, com vegetação baixa, solo seco e pouca cobertura natural. Durante o dia, a região é marcada por sol forte e altas temperaturas, o que torna a travessia mais difícil. Por isso, quem opta por esses caminhos costuma se deslocar à noite, quando o clima é mais ameno e há maior chance de escapar da fiscalização.

Mas a reportagem flagrou motocicletas e pessoas tentando ingressar de forma irregular no país por meio dessas trilhas até mesmo à luz do dia.

De acordo com informações repassadas por agentes de segurança, quem entra ilegalmente por essas rotas pode caminhar por até um dia inteiro antes de alcançar áreas urbanizadas ou pontos próximos a rodovias. O trajeto é feito a pé, muitas vezes sem acesso a água, comida ou qualquer tipo de apoio ao longo do caminho.

Uma das trilhas visitadas pela reportagem fica a cerca de três quilômetros do centro de Pacaraima. O caminho desemboca em um campo de futebol de terra, às margens de uma rodovia, usado como ponto informal de chegada por quem consegue completar a travessia. A partir dali, os migrantes seguem a pé ou tentam obter transporte até a área urbana.

As autoridades afirmam que monitoram a região e reforçam que a fiscalização no posto oficial segue sendo a principal estratégia de controle da fronteira. Ainda assim, a extensão territorial, as características do terreno e a existência de múltiplos acessos informais dificultam o bloqueio completo das rotas clandestinas.

Após O GLOBO percorrer trechos de uma das trilhas, visualizou um comboio policial que patrulhava a região e seguiu os militarespor uma área mais isolada, a 15 quilômetros da sede de Pacaraima.

— Essas trilhas, que eles chamam de trouxas, são rotas que eles usam para ingressar no Brasil de forma clandestina. Usam para contrabando, tráfico de drogas e descaminho. Estamos falando de um emaranhado de caminho, que é muito difícil de ser fiscalizado. É humanamente impossível, porque teria que ter um policial para cada caminho desses. Mas estando reforçando o policiamento na região, em colaboração com o Exército — explicou o capitão Costa, da PM de Roraima, responsável pelo comboio.