Tribunal do Vaticano ordena novo julgamento contra cardeal acusado de desvio de recursos

 

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Um tribunal de apelação do Vaticano determinou nesta terça-feira que seja realizado um novo julgamento contra o cardeal Angelo Becciu, ex-assessor do papa Francisco, que foi condenado por desvio de recursos, alegando “erros de procedimento” no primeiro processo.

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A corte afirmou que a sentença, proferida em 2023, continuará válida até a realização do novo julgamento, segundo uma cópia da decisão obtida pela AFP.

Becciu foi, em determinado momento, uma das figuras mais poderosas do Vaticano, assessor de Francisco e até considerado um possível papa, até que uma controversa operação imobiliária em Londres o levou à Justiça e ao ostracismo clerical.

O cardeal italiano foi condenado em 2023 a cinco anos e meio de prisão por fraude em operações financeiras da Santa Sé, além de multa de 8 mil euros (pouco mais de 9 mil dólares). No entanto, ele não está preso e não se espera que cumpra pena até que todos os recursos judiciais sejam esgotados.

A queda de Becciu ocorreu em meio a uma série de reformas promovidas por Francisco para limpar as finanças do Vaticano, historicamente marcadas por irregularidades. Ele é o mais alto integrante da Igreja Católica a comparecer perante o Tribunal Penal do Vaticano, a instância civil do Estado.

O caso teve como foco a compra de um edifício de luxo em Londres, que prejudicou a imagem da Igreja e evidenciou o uso imprudente do Óbolo de São Pedro, a tradicional coleta anual destinada às obras de caridade do papa. A operação também gerou perdas significativas para as finanças do Vaticano.

Na época, Becciu era prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Em 2020, o papa Francisco o forçou a renunciar e retirou seus privilégios de cardeal. Antes disso, ele foi o número dois da Secretaria de Estado entre 2011 e 2018.