No topo da pirâmide do mercado de acompanhantes de altíssimo padrão no Brasil, a estabilidade de uma carreira milionária não depende do apelo estético nem da discrição dos clientes. Depende da clemência do “Tribunal”.
A investigação da coluna Na Mira revelou que, se a rede de canais como o Casting Elite World opera como vitrine para programas de até R$ 10 mil direcionados à elite financeira do país e do exterior, o grupo batizado de “Tribunal” funciona como o braço punitivo e a engrenagem de tortura psicológica do império clandestino.
O funcionamento do “Tribunal” simula a estrutura de um juizado paralelo, contudo despido de qualquer direito de defesa ou rito processual. As decisões são tomadas de forma monocrática e instantânea pelas três gestoras da rede.
Para que uma garota de programa seja sumariamente remetida ao julgamento da câmara secreta, não são necessárias infrações graves: bastam prints de conversas privadas vazados, desentendimentos banais por disputa de clientes ou meras denúncias feitas pelos 15 a 30 agenciadores parceiros do trio.
Assim que a “denúncia” é aceita pelas gestoras, o grupo converte-se em uma arena de linchamento virtual. O perfil da modelo ou do agenciador caído em desgraça é exposto publicamente para os mais de 600 integrantes da comunidade.
Fotos pessoais, áudios íntimos e capturas de tela são divulgados com o objetivo explícito de degradar a reputação do alvo e servir de exemplo dissuasório para os demais membros. As sanções impostas pelo trio seguem um padrão financeiro rigorosamente desenhado para alimentar a lucratividade da pirâmide:
“Ter o nome inserido na lista negra sob rotulagens como ‘problemática’ ou ‘não confiável’ significa o fim absoluto da carreira no alto padrão. Os contatos e imagens vazam imediatamente para agências do Brasil, da Europa e de Dubai”, relatou uma modelo sob condição de anonimato à coluna.
A reabilitação no sistema e a consequente remoção do nome do cadastro restritivo internacional só é concedida mediante o pagamento de quantias extorsivas adicionais ou a aceitação de termos de trabalho impostos unilateralmente pelas gestoras. Como detalhado na reportagem principal da coluna, o ecossistema mantido pelas três investigadas opera à margem de qualquer fiscalização legal, movimentando quantias expressivas sob a fachada de grupos restritos de mensagens.
A atuação do “Tribunal” consolida o domínio do trio ao assegurar que nenhuma modelo consiga atuar de forma independente no mercado VIP sem pagar o pedágio estipulado ou submeter-se à disciplina ostensiva das administradoras.
Metropoles