Tribunal apontou concentração de poder de Textor, que assinou como comprador e vendedor da SAF do Botafogo; entenda

 

Fonte:


A decisão do Tribunal Arbitral que afastou John Textor da administração da SAF do Botafogo se apoia em um conjunto de episódios recentes que, na avaliação dos árbitros, indicam falhas relevantes de governança — com destaque para a atuação do empresário em múltiplos papéis dentro de uma mesma operação.

Um dos pontos centrais é a celebração, em 26 de janeiro de 2026 — já após a instauração da arbitragem — de um contrato de compra e venda (SPA) envolvendo a estrutura societária do clube. O próprio Tribunal ressalta que não se trata de um fato isolado:

“Ocorre que este não é um ato isolado. Destaca-se a recente celebração (26/01/2026, após a instauração desta Arbitragem) de SPA referente à aquisição, pela Eagle Football Group, da integralidade da participação societária da Eagle Bidco na SAF Botafogo. Como se vê da íntegra do documento, o Sr. Textor representou as três partes, mesmo ciente das discussões vigentes sobre sua atuação como administrador da Companhia.”, diz trecho da decisão.

Na prática, Textor assinou simultaneamente por comprador (Eagle Football Group), vendedor (Eagle Bidco) e dentro do contexto da própria SAF — posições que, em condições normais, deveriam ser independentes.

Histórico de arbitrariedades

Esse histórico foi conectado a outros atos recentes analisados no procedimento, inclusive decisões tomadas sem a devida deliberação societária. O Tribunal foi direto ao apontar a irregularidade.

“O ajuizamento da medida cautelar preparatória de recuperação pela SAF Botafogo, sem deliberação em assembleia de acionistas, viola frontalmente as regras de governança que regem a sociedade, além de violar a expressa ordem emitida por este Tribunal Arbitral.”, afirma a decisão.

Na avaliação dos árbitros, há um padrão de conduta que amplia os riscos institucionais e justifica a intervenção. O despacho destaca:

“A partir do conjunto dos fatos narrados nesta Arbitragem por ambas as Partes, o Tribunal Arbitral conclui que as medidas adotadas pela SAF Botafogo sob administração do Sr. John Charles Textor têm o potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo.”

Diante desse cenário, e entendendo que medidas anteriores não foram suficientes para conter novas decisões unilaterais, o Tribunal determinou o afastamento cautelar do empresário, com o objetivo de preservar a estrutura societária da SAF até a análise mais aprofundada do caso.