Três vezes Nelson Rodrigues: peças em cartaz no Rio adaptam obras e personificam o autor no palco

 

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Acusado de ser ao mesmo tempo imoral e reacionário, Nelson Rodrigues (1912-1980) tem, nas palavras de Fernanda Montenegro, “o desassossego do brasileiro em sua obra” — e, a impressão que fica, é a de que essa obra se torna cada vez mais atual. Recifense radicado no Rio, o autor tem em cartaz na cidade três espetáculos inspirados por seu trabalho e seus pensamentos. No solo “Nelson Rodrigues – O passado sempre tem razão”, Bruce Gomlevsky interpreta o autor em um mergulho pelo pensamento rodrigueano. Escrita e dirigida por Carlos Jardim, a peça mistura falas do autor com trechos de crônicas e peças, passando por temas caros ao autor, da política ao futebol (CCBB; seg e qua a sáb, às 19h; dom, às 16h e às 19h; R$ 30; 14 anos; até segunda, 25).

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Bruce Gomlevsky interpreta o dramaturgo Nelson Rodrigues na peça "Nelson Rodrigues — O passado sempre tem razão"

Dalton Valério/Divulgação

Em cartaz no Futuros — Arte e Tecnologia, no Flamengo, “Diabólica vingança” é uma adaptação dos contos nunca antes encenados “A mão esquerda” e “Vingança”. A direção é de Renato Carrera, que divide o palco com Andreza Bittencourt e Dani Ornellas. Dividido em dois atos, o espetáculo apresenta cada conto na íntegra. Na primeira história, um homem atormentado por um segredo físico encontra um amor, mas descobre também o desprezo, o que o leva a se vingar de maneira macabra. No segundo, uma mulher presa num casamento sem amor vê, no leito de morte, a chance de ferir o marido com uma revelação irreversível (qui a dom, às 19h; R$ 60; 12 anos; até 31 de maio).

Cena da peça "Diabólica vingança", que adapta contos de Nelson Rodrigues

Divulgação/Dalton Valério

Por fim, estreia nesta quarta-feira (20) “A serpente”, na Sede da Cia. dos Atores, na Lapa, onde fica em cartaz até 10 de junho. Dirigida por Anna Helena Madruga (que atua ao lado de Carol Mattos, Deco Almeida, Lucas Garbois e Gabriel Barreto), a montagem reconta a obra do autor a partir do olhar feminino. Na trama, duas irmãs muito unidas dividem o mesmo apartamento com seus maridos. Tudo muda quando, prestes a cometer suicídio, uma delas revela que nunca consumou o casamento. Para impedir a tragédia, a irmã oferece seu marido a outra por uma noite, mas a relação entre as duas fica abalada para sempre (qua, às 20h; R$ 50; 16 anos).