Três décadas de bailado: Claudinho e Selminha Sorriso celebram longevidade no desfile da Beija-Flor
Quando a Beija-Flor de Nilópolis cruzar a Sapucaí, entre o fim da noite de amanhã e o começo da madrugada de terça-feira, estará sendo completado um ciclo de três décadas de Claudinho e Selminha Sorriso como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da azul e branco da Baixada Fluminense. A marca é inédita, o que faz da dupla a mais longeva do carnaval carioca (na mesma agremiação). Os que chegaram mais perto foram os históricos Chiquinho e Maria Helena, com 22 anos de bailado na Imperatriz Leopoldinense.
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— Daqui a alguns anos, outros casais ou sambistas mais novos vão poder falar que viveram na mesma época que nós. Hoje eu falo que vivi na época de Delegado, Mocinha, Vilma e Maria Helena, entre grandes porta-bandeiras e mestres-salas — diz Selminha, ciente de que, como os citados, está fazendo história.
A parceria duradoura de Selminha e Claudinho — iniciada cinco anos antes, na Estácio de Sá — com a Beija-Flor surgiu de um convite feito pelo presidente de honra da escola, Anísio Abraão David, e pelo diretor de carnaval, Laíla (1943-2021), ainda em 1995. A estreia se deu no desfile seguinte, cujo enredo era “Aurora do povo brasileiro”, desenvolvido por Milton Cunha.
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— Para a apresentação deles na quadra, peguei um tecido importado de Hong Kong, fiz um vestido azul para ela e uma blusa meio Sidney Magal para ele. Foi um sucesso — recorda o então carnavalesco e hoje apresentador. — Os dois são muito respeitadores, muito família, e encontram na Beija-Flor o ambiente perfeito para criar laços profundos.
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Os 30 anos do casal na escola foram marcados por muitas vitórias, mas também alguns percalços e desafios. Só de títulos conquistados foram dez dos 15 que a escola tem. Individualmente, Selminha ganhou seis Estandartes de Ouro (troféus dos jornais O GLOBO e Extra para os melhores do carnaval), o último em 2009. Claudinho tem sete, o mais recente de 2015.
Entre os desfiles mais marcantes, Selminha destaca dois, um pela alegria e outro pela tristeza. O primeiro, em 2001, veio junto com a realização do sonho de se tornar mãe. Igor nasceu em novembro do ano anterior e, no começo de janeiro, ela já havia voltado a dançar. Com as medidas da fantasia tomadas durante a gravidez, teve de refazer os figurinos.
Já o carnaval de 2005 foi marcado pela perda de sua mãe. Aos 52 anos, em pleno domingo de carnaval, ela entrou em coma induzido. A escola desfilou na segunda-feira. Ela não contou para ninguém. O falecimento veio na Quarta-Feira de Cinzas, junto a mais um campeonato da escola.
O desafio mais recente foi segurar o desfile depois de ter tido um salto do sapato quebrado em frente à cabine dos jurados, resultando na perda de um décimo.
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Diferentemente de Neguinho, que no ano passado se aposentou dos microfones após 50 anos de bons serviços prestados à Beija-Flor como intérprete, Selminha e Claudinho não pensam em parar tão cedo:
— Parar é uma palavra que não existe para a gente. Enquanto Deus for dando saúde e os orixás forem nos abençoando, vamos trabalhar para atingir os objetivos, ajudar a escola e fazer aquilo que a gente mais gosta — diz Claudinho.
Uma questão de vocação
Para Bruno Chateaubriand, jurado do Estandarte de Ouro e autor do livro “Mestre-sala e porta-bandeira, uma arte essencialmente nossa”, Selminha nasceu para ser porta-bandeira, e isso explica a longevidade da dupla com Claudinho.
— Ela se comporta como porta-bandeira em qualquer situação. Não precisa encaixar o mastro (do pavilhão) no talabarte — elogia.
Porta-bandeira da Viradouro há 19 anos, Rute Alves diz que o comprometimento da dupla “vai além da dança”. Sobre o segredo da longevidade, é categórica:
— É essa união dentro e fora da Avenida — aponta.
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