Tremores de madrugada, remédio após o jogo e apoio do SAMU: registros detalham por que Bolsonaro foi internado no hospital

 

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Os relatos da equipe médica de plantão da "Papudinha" mostram que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma crise de soluço durante a noite de quinta-feira, mas que não quis tomar remédio imediatamente e disse aos plantonistas que iria tomar a medicação "após o jogo". As informações constam dos registros dos plantonistas do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como "Papudinha", em Brasília, onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Depois, durante a madrugada, o ex-presidente teve "naúseas e tremores", e foi levado na manhã desta sexta-feira ao hospital DF Star, onde está internado na UTI para tratar de uma pneumonia causada por broncoaspiração.

"Realizada avaliação às 20h40, acompanhada da enfermeira Ana. Segue em regular estado geral, lúcido e orientado, eupneico em ar ambiente (boa respiração). Dieta de boa aceitação, eliminações fisiológicas preservadas. Caminhou hoje à tarde (5 km). Iniciou a (sic) pouco crise de soluço, mas não quis medicação agora, informou que irá tomar após o jogo", diz o relato assinado pela médica Ana Cristina Neves.

Depois, os registros mostram que a equipe foi acionada às 6h45 pelos agentes do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como "Papudinha", que monitoram o ex-presidente para avaliação por "calafrios". Consta do documento que Bolsonaro disse que começou com náuseas e tremores por volta de 2h, mas negou vômitos, falta de ar, corizas ou sintomas respiratórios.

Neste momento, ele estava com febre de 38,7ºC e baixa saturação, de 82%. A equipe médica então ministrou três medicamentos por via oral: um antitérmico, um para enjoo e o terceiro para facilitar o esvaziamento gástrico. Consta do relato que Bolsonaro recusou medicação na veia.

Depois de 10 minutos, a equipe fez uma reavaliação, em que relatou que a febre havia aumentado para 39,1ºC e saturação ainda estava baixa, no máximo 86%. Neste momento, foi instalado um suporte para o ex-presidente receber oxigênio e foi solicitada a remoção para o DF Star e também uma articulação com a equipe do SAMU do Distrito Federal.

Além disso, a equipe também informou ao médico particular de Bolsonaro, Brasil Caiado, sobre o quadro do ex-presidente. Segundo consta do relato, Caiado prontamente se dirigiu à Papudinha e concordou com a remoção para o hospital. O diretor geral do DF Star, Allisson B. Barcelos Borges, também foi avisado da situação de Bolsonaro.

Segundo o documento, a remoção para o DF Star foi solicitada às 7h45, o transporte do ex-presidente para o hospital foi iniciado às 8h22 e a chegada ao destino aconteceu à 8h55.

Segundo o último boletim médico do DF Star, publicado na manhã deste sábado, Bolsonaro está estável clinicamente, mas teve piora da função renal e do quadro inflamatório. Os médicos afirmaram que ele mantém o tratamento com antibióticos e hidratação por via endovenosa, fisioterapia respiratória e motora, além das medidas de prevenção de trombose venosa. Não há previsão de alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neste momento.