Treinamento entra na era da simulação ultrarrealista

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Hospital Israelita Albert Einstein utiliza óculos de realidade aumentada para capacitação de funcionários Divulgação Dados globais da PwC apontam que o uso de tecnologias de realidade estendida (“extended reality”, ou XR) pode aumentar a produtividade das empresas em até 40%, reduzir significativamente o tempo de treinamento e ampliar a retenção do conhecimento. A consultoria estima que, até 2030, a aplicação de realidade virtual (RV) e realidade aumentada (RA) em programas de desenvolvimento de pessoas deverá acrescentar US$ 356 bilhões ao PIB global, ao permitir a simulação de situações em que a prática no mundo real é inviável ou envolve riscos. Setores de alto risco, como mineração, saúde e aviação, já utilizam óculos imersivos e projeções digitais para acelerar a curva de aprendizado de equipes e simular situações críticas. “As organizações precisam se concentrar em projetar soluções para resolver problemas específicos de negócios, como acelerar processos, melhorar a segurança, reduzir custos ou abrir novas fontes de receita”, diz Jeremy Dalton, head de realidade virtual e realidade aumentada da PwC. Os benefícios das tecnologias imersivas se destacam principalmente pela capacidade de oferecer treinamentos padronizados, repetíveis e seguros, criando com fidelidade situações críticas, como explica Joyce Barreto, gerente do Centro de Simulação Realística do Hospital Israelita Albert Einstein. “Conseguimos reproduzir cenários complexos e de alto risco sem expor pacientes, equipes ou operações”, diz. Na instituição, as ferramentas são aplicadas em áreas assistenciais de maior complexidade, incluindo unidades de terapia intensiva (UTI) e pronto atendimento, além de atividades de ensino voltadas aos cursos de graduação em medicina e enfermagem. Um dos exemplos é a simulação de atendimentos em uma ambulância virtual voltada a médicos e residentes. De acordo com Barreto, os participantes relatam ganhos na organização do raciocínio clínico, na resolutividade dos casos e na agilidade para tomar decisões. Outro benefício é a possibilidade de realizar treinamentos colaborativos remotos simultâneos. Se, de um lado, a adoção de tecnologias imersivas exige investimentos relevantes em hardware e software customizado, de outro, ajuda na redução de acidentes e na diminuição da necessidade de estruturas físicas para capacitações. Em segmentos que operam com ativos de alto valor, como aviação, transporte ferroviário e mineração, o retorno financeiro é evidente. Simuladores substituem, por exemplo, o uso de cockpits e cabines de comando reais durante o treinamento. Conseguimos reproduzir cenários complexos e de alto risco sem expor pacientes” Para Antonio Valerio Netto, pesquisador em desenvolvimento tecnológico e extensão inovadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na área de tecnologia educacional, a principal contribuição dessas ferramentas está na possibilidade de desenvolver habilidades e atitudes. Isso porque, enquanto o conhecimento está amplamente disponível em vídeos, documentos e outras plataformas digitais, o aprimoramento de competências exige experiências que envolvam percepção, ação e tomada de decisão. “RA e RV permitem transportar profissionais para cenários críticos, criando gatilhos mentais que os ajudam a tomar decisões na hora certa e reagir de forma adequada”, afirma. Netto ressalta, porém, que os resultados não dependem apenas da tecnologia, mas da maneira como ela é incorporada ao processo de aprendizagem. As ferramentas devem estar associadas a outras metodologias de ensino. Segundo ele, o ideal é seguir o método conhecido como CHA (conhecimento, habilidade e atitude). “Só a tecnologia não funciona”, afirma. “Ela é um meio, mas sem uma metodologia de ensino não é capaz de promover, sozinha, o desenvolvimento das habilidades.” No Einstein, os impactos são acompanhados por indicadores educacionais e operacionais que incluem desempenho nas avaliações, evolução das competências, tempo necessário para aquisição de proficiência, percepção dos participantes e avaliação dos facilitadores, além de métricas relacionadas à qualidade assistencial. Embora a instituição observe ganhos, Joyce Barreto destaca que ainda não é possível atribuir isoladamente à RV melhorias nos desfechos assistenciais. “As simulações fazem parte de programas educacionais mais amplos.”

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