Treinador e ex-jogador, Matosevic é suspenso do tênis por quatro anos por se dopar e ajudar atletas a burlarem exames
O ex-tenista e treinador australiano Marinko Matosevic foi suspenso do esporte por quatro anos após violar diversas regras antidoping entre 2018 e 2020, que vão de se dopar, enquanto atleta, até ajudar outros tenistas a burlarem os exames entre os anos de 2018 e 2020, segundo a Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) comunicou, nesta segunda-feira.
Entre as acusações da entidade, ele foi condenado pelo "uso de um método proibido por meio de doping sanguíneo (enquanto jogador em atividade), o auxílio a outro jogador para que este se dopasse sanguíneo, o fornecimento de conselhos a outros jogadores sobre como evitar testes positivos", comunicou, em seu site.
Em 15 de maio de 2025, a ITIA acusou formalmente Matosevic com possíveis evidências de violações das regras de doping. O australiano negou as acusações e o caso foi encaminhado a um tribunal independente para determinar a responsabilidade e a sanção.
Uma audiência foi agendada para ocorrer por videoconferência em 9 de fevereiro de 2026. Mas, nas semanas que antecederam a audiência, Matosevic emitiu uma declaração à imprensa, admitindo ter realizado um doping sanguíneo, mas que as outras acusações seriam infudadas e criticou a forma como foi realizada a investigação pela entidade.
"Escrevo este texto com o coração pesado e a mente lúcida. Estou sob investigação da ITIA desde o Masters de Roma em 2024, uma investigação focada em um método proibido que usei em fevereiro de 2018. Embora a ITIA não tenha provas concretas da minha má conduta, optei por admiti-la devido ao processo corrupto e à natureza absurda das outras acusações”, comunicou o ex-atleta, na época. E acrescentou: "Fiquei enojado comigo mesmo e me aposentei na semana seguinte, aos 32 anos e meio", acrescentou.
Punições
Matosevic optou por não comparecer à audiência, que ocorreu conforme agendado. Em 16 de março de 2026, o tribunal independente, presidido por Michael Heron KC, confirmou as acusações, aplicando uma suspensão de quatro anos a Matosevic, com efeito a partir da data da decisão por escrito. A acusação de posse e uso de clenbuterol, anterior a 2020, foi rejeitada pelo tribunal independente por falta de provas.
Sobre as acusações relacionadas ao aconselhamento de outros jogadores, o presidente do tribunal independente, Michael Heron KC, afirmou que as ações de Matosevic “foram muito além da associação passiva e constituem participação intencional”, em violação ao TADP, e que sua “conduta atenta contra a integridade da estrutura antidoping”.
O tribunal também rejeitou as alegações públicas de Matosevic relativas à integridade do processo de investigação da ITIA, considerando-as sem fundamento, e afirmou que a ITIA “agiu dentro da autoridade que lhe foi conferida pelo TADP”.
Além da suspensão, os prêmios em dinheiro de Matosevic nos torneios ATP Challenger de Morelos e Indian Wells, em fevereiro de 2018, período próximo à violação de doping sanguíneo, também foram desqualificados.
"A suspensão de Matosevic terminará em 15 de março de 2030, mediante o reembolso dos prêmios em dinheiro pendentes", informou a entidade.
"Durante o período de inelegibilidade, Matosevic está proibido de jogar, treinar ou participar de qualquer evento ou atividade de tênis autorizada ou sancionada pelos membros da ITIA (ATP, ITF, WTA, Tennis Australia, Fédération Française de Tennis, Wimbledon e USTA) ou por qualquer associação nacional ou suas associações ou clubes membros, liga profissional ou evento de nível internacional ou nacional afiliado à WADA".
Matosevic, de 40 anos, alcançou o 39º lugar no ranking de simples em 2013, sua melhor posição na carreira. Ele se aposentou do esporte em 2018 e desde então se tornou treinador, trabalhando com os tenistas australianos Chris O'Connell e Jordan Thompson — não houve nenhuma citação sobre irregularidades por parte destes atletas no comunicado da entidade.
