Tragédia sem fim: Membro da equipe de resgate que buscava megulhadores mortos nas Maldivas morre em operação

 

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Um mergulhador profissional da equipe de resgate que procurava os corpos do grupo de mergulhadores italianos mortos nas Maldivas também morreu durante a operação. A informação foi publicada pelo jornal italiano La Repubblica. Segundo a publicação, o Sargento-Mor Mohammed Mahdi, das Forças de Defesa Nacional das Maldivas, sofreu de doença descompressiva, condição causada pela formação de bolhas de gás (normalmente nitrogênio) no sangue e nos tecidos. Ela ocorre quando há uma queda brusca de pressão, como em uma subida rápida durante mergulhos autônomos.

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Ele participava da operação com outros sete colegas e passou mal. Mahdi chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu. O Ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, ordenou o envio de pessoal adicional às Maldivas para apoiar a embaixada e auxiliar as famílias das vítimas. Autoridades locais disseram que este foi o pior acidente de mergulho já registrado das Maldivas.

Apesar do mergulho arriscado, na caverna conhecida por sua forte correnteza, toda a equipe de mergulhadores que morreu era formada por pesquisadores, em sua maioria experientes. Monica Montefalcone, professora de biologia marinha na Universidade de Gênova, e sua filha de 20 anos, Giorgia Sommacal; a pesquisadora Muriel Oddenino; e o cientista marinho Federico Gualtieri, foram as vítimas da excursão. Eles estavam acompanhados de um instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, que também morreu.

Resgate de 'alto risco'

O porta-voz do governo das Maldivas , Mohamed Hussain Shareef, afirmou que a caverna "é tão profunda que nem mesmo mergulhadores com os melhores equipamentos se aventuram a chegar perto".

“Haverá uma investigação separada sobre como esses mergulhadores foram além da profundidade permitida, mas nosso foco agora é a busca e o resgate”, disse ele após o incidente.

A guarda costeira e as unidades militares das Maldivas lançaram uma operação de busca e resgate de "alto risco" utilizando mergulhadores especializados , barcos e apoio aéreo, mas as condições climáticas adversas na área, incluindo ventos fortes e um alerta amarelo oficial, tornaram as operações mais difíceis do que o esperado.

Um comunicado da Força de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF) afirma que "um corpo foi encontrado entre os cinco mergulhadores no Atol de Vaavu". "O corpo foi encontrado dentro de uma caverna. Acredita-se que os outros quatro mergulhadores também estejam dentro da mesma, que se estende a uma profundidade de cerca de 60 metros".

Toxicidade do oxigênio

Segundo a mídia local, uma das hipóteses mais aceitas pela guarda costeira e por especialistas é a toxicidade do oxigênio. Esse fenômeno ocorre quando a mistura do cilindro é inadequada, tornando o oxigênio tóxico em certas profundidades.

"A 50 metros de profundidade no mar, existem vários riscos; é uma verdadeira tragédia", afirma Alfonso Bolognini, presidente da Sociedade Italiana de Medicina Subaquática e Hiperbárica. "Podemos formular diversas hipóteses neste momento: uma mistura respiratória inadequada pode criar uma crise hiperóxica quando há um aumento na pressão parcial de oxigênio nos tecidos e no plasma sanguíneo, o que pode causar problemas neurológicos."

“É provável que algo tenha dado errado com os tanques”, disse o pneumologista Claudio Micheletto ao veículo de comunicação italiano Adnkronos. “A morte por toxicidade do oxigênio, ou hiperóxia, é uma das mortes mais dramáticas que podem ocorrer durante um mergulho — um fim horrível”, acrescentou Micheletto, diretor de pneumologia do Hospital Universitário de Verona.