Tragédia nas Maldivas: mergulhador local aponta a sequência que pode ter matado cinco italianos em cavernas
Para Shafraz Naeem, mergulhador maldivo e especialista na exploração de cavernas marinhas nos atóis das Maldivas, com trinta anos de experiência em mergulho, houve uma combinação de fatores que levou à morte dos cinco turistas na semana passada.
A posição em que o corpo de Gianluca Benedetti, um instrutor de mergulho de Pádua (Itália), foi encontrado também fornece pistas importantes para a reconstrução da tragédia: ele estava na segunda das três cavernas, com o cilindro vazio, a pressão zero. Isso sugere que "ele tentou se salvar".
"Talvez ele tenha tentado escapar antes de ficar sem ar. O restante do grupo morreu na terceira câmara, enquanto Benedetti morreu no corredor ao tentar fugir", afirmou Shafraz, de acordo com o jornal "Il Messaggero".
O retrato da morte de Gianluca indica, segundo o maldivo, que pe um dos pioneiros locais do mergulho profissional, sugere que o grupo passou por uma sequência de dificuldades, num ambiente inóspito em que a luz só chega à primeira câmara.
"Seria irresponsável afirmar precisamente o que aconteceu sem uma investigação completa. No entanto, com base na minha experiência, um mergulho em caverna a quase 58 metros com ar comprimido normal já apresenta múltiplos fatores de risco. Nessa profundidade, a narcose por nitrogênio pode prejudicar gravemente a consciência. O consumo de gás aumenta rapidamente e, em um ambiente como uma caverna, subir à superfície é muito difícil", declarou Shafraz, citando em seguida o que ele acredita terem sido os fatores em cascata que contribuíram para a morte: "Narcose, estresse, desorientação, perda de visibilidade, problemas de navegação, reservas insuficientes de gás, problemas com o equipamento, separação do grupo e pânico".
Na quarta-feira (20/5), foram retirados das cavernas os corpos dos últimos dois italianos mortos na tragédia.
Todos os corpos foram levados até Malé, a capital maldivas. Porém não serão realizadas autópsias na cidade por questões religiosas. Os procedimentos só serão feitos na Itália.
As vítimas
Monica Montefalcone, professora associada de Ecologia da Universidade de Gênova
Giorgia Sommacal, estudante de Engenharia Biomédica
Muriel Oddenino di Poirino, pesquisadora de Turim
Gianluca Benedetti, de Pádua, instrutor de mergulho
Federico Gualtieri, também instrutor de mergulho e recém-formado em Biologia Marinha e Ecologia pela Universidade de Gênova
Mohammed Mahdi, mergulhador maldivo de resgate
