Tragédia das chuvas em Minas Gerais: Juiz de Fora tem alto risco de deslizamentos, diz AdaptaBrasil
A cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, assolada por chuvas intensas, tem um alto risco de deslizamento, segundo a plataforma AdaptaBrasil, que analisa fatores de risco climáticos. Até o momento, 40 pessoas morreram na cidade e outras 6 na vizinha Ubá. Outras 21 vítimas estão desaparecidas.
Chuvas em Minas Gerais: Polícia Civil identificou 27 corpos de vítimas da enchente
Vídeo: mulher se segura em poste em meio à enxurrada causada por enchente em Juiz de Fora; assista
Tragédias climáticas exigem preparação das cidades e urgência em medidas de adaptação
O AdaptaBrasil é uma plataforma do governo federal que analisa fatores como índices de chuvas, de secas, características urbanas das cidades, suas infraestruturas, uso de energia e de ocupação do solo.
Os principais motivos que explicam a nota do município mineiro (0,70, em uma escala de 0 a 1 quanto ao risco de deslizamentos) são a grande quantidade de moradias em áreas de risco e a topografia da região. Essa avaliação também considera a possibilidade de desastre causado por fatores naturais, como as características do relevo, o tipo de solo, a ocupação do território e também o volume de chuvas intensas registradas em um dia e ao longo de cinco dias.
Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) revelam ainda que Juiz de Fora é a nona cidade do país com maior população em áreas de risco. Segundo o estudo divulgado em 2024, dos 540.756 habitantes, 128.946 viviam em áreas consideradas de risco para deslizamentos, enxurradas e inundações — o que representa 23,7% da população.
Por outro lado, números do AdaptaBrasil indicam que o município tem risco baixo para inundações, enxurradas e alagamentos (0,23). Além disso, apresenta alta capacidade adaptativa, considerando a situação econômica, gestão de riscos e desastres e políticas urbanas.
Previsão do tempo
O temporal que deixou um rastro de destruição em diversas partes de Juiz de Fora não tem previsão para acabar. De acordo com o Cemaden, a probabilidade de permanência ou de novas ocorrências no município é considerada muito alta devido às condições atuais de drenagem na localidade.
Na terça-feira, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu o estado de calamidade pública do município. Equipes da Defesa Civil Nacional e do Corpo de Bombeiros continuam atuando na região, em busca dos desaparecidos.
Segundo a prefeitura de Juiz de Fora, mais de 3.500 pessoas estão desabrigadas e desalojadas.
