Traficantes do Vidigal deixaram casa pouco antes de operação da PM que buscava criminoso da Bahia

 

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Câmeras de segurança flagraram traficantes do Vidigal, na Zona Sul do Rio, deixando uma casa usada para festas do crime pouco antes de uam grande operação da polícia que visava o grupo. Um dos alvos é o chefe da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), grupo criminoso que atua no sul da Bahia e é aliado ao Comando Vermelho (CV): traficante baiano Ednaldo Pereira Souza, de 38 anos, conhecido como Dada. Durante a operação, cerca de 200 turistas ficaram "ilhados" no alto do Morro Dois Irmãos, em meio ao tiroteio. O Ministério Público da Bahia, que fez a operação em conjunto com a Polícia Civil do Rio, investiga se a ação vazou.

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As imagens, reveladas pelo Fantástico, da TV Globo, mostram que os traficantes passaram o fim de semana em uma festa para a filha de três anos de Dáda. Os fuzis ficaram guardados numa sala, enquanto aos convidados eram servidos whiskey, além de ter pula-pula e e algodão doce. Durante a madrugada, os criminosos deixaram a casa — somente três horas antes da chegada dos policiais.

— Inicialmente, a gente não trabalha com essa hipótese de vazamentos. Lógico que é algo que tá sendo investigado ainda — disse o promotor do Ministério Público da Bahia:

— A gente tem uma seriedade muito grande no trato da informação, no planejamento e na execução das operações. E o nosso histórico, né, dos últimos meses, últimos anos, demonstra isso — completou Fabrício Oliveira, delegado da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE).

Passagem secreta

A casa tinha uma passagem secreta. Ela fica no térreo da residência, localizada na parte alta da comunidade. Ao abrir uma porta em uma parede, os agentes encontraram uma parte de encanamento, um muro de tijolos e um buraco aberto, por onde o traficante conseguiu sair. Segundo o Ministério Público, Dada fugiu da prisão na Bahia em 2024. Em seguida, deslocou-se para o Rio de Janeiro e passou a ficar abrigado na Rocinha. Policiais baianos descobriram que o suspeito havia alugado uma casa de alto padrão, no Vidigal, para passar o feriado e os dias seguintes em companhia de amigos e parentes.

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A informação foi repassada à Core, que, junto com representantes da Secretaria de Segurança da Bahia, foi até o imóvel. Durante o tiroteio, Dada acabou fugindo.

Além dele, outro alvo da operação também fugiu. Wallas de Souza Soares, conhecido como “Patola”, que, segundo a polícia da Bahia, seria um dos chefes do Primeiro Comando de Eunápolis e tinha em seu nome dois mandados de prisão, não foi localizado. Já a mulher dele, identificada como Núbia Santos Oliveira, foi presa com base em mandados de prisão pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ela é apontada como operadora financeira do PCE e suspeita de ser responsável pela gestão de recursos ilícitos e pela sustentação logística da organização, mantendo ligação direta com chefes da facção. Além de Núbia, outras duas pessoas foram presas.

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Uma delas é Patrick Cesar Tobias Xavier, o “Bart”. Ele estava com mochilas contendo drogas, roupas camufladas e um rádio comunicador, e foi preso em flagrante. Ao ser detido, apresentou documentos falsos que o identificavam como outra pessoa. Com um mandado de prisão expedido pela Justiça de Goiás, Bart era considerado foragido. O nome do suspeito consta no Projeto Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, programa que monitora indivíduos de alta periculosidade com atuação relevante no crime organizado. A outra pessoa detida foi Christian Fernandes Rodrigues da Silva. Natural de Minas Gerais, ele foi preso em flagrante portando um fuzil Colt calibre 5,56 e uma pistola Canik calibre 9 mm com numeração raspada.

Principal alvo da ação desta segunda-feira, Ednaldo Pereira Souza, o Dada, tem em sua ficha criminal duas condenações. Por conta de um homicídio, ele foi condenado a uma pena de 22 anos. Já por crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e tráfico de drogas, recebeu uma sentença de 26 anos de prisão. No dia 13 de outubro de 2024, ele conseguiu fugir de um presídio na Bahia e nunca mais foi capturado.