Tráfego de navios despenca no Estreito de Ormuz, e duas embarcações são alvos de ataques
O tráfego de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, uma via marítima estreita na fronteira sul do Irã que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das artérias marítimas mais vitais do mundo, desacelerou drasticamente no sábado após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, segundo especialistas da indústria e dados marítimos analisados pelo New York Times.
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Segundo informaram agências de segurança marítima, neste domingo, dois navios foram atacados no local. Além disso, ao menos três das maiores companhias de navegação do mundo, a MSC, a Maersk e a Hapag-Lloyd, suspenderam o trânsito de embarcações pelo estreito. A DP World, empresa líder global em logística e gestão portuária, também interrompeu as operações no porto de Jebel Ali, em Dubai.
A plataforma de rastreamento de navios MarineTraffic registrou uma queda de 70% no tráfego pelo Estreito de Ormuz até o final da noite passada no Irã, de acordo com Dimitris Ampatzidis, analista sênior de riscos e conformidade da Kpler, empresa-mãe da MarineTraffic. A maioria dos navios na área fez inversão de rumo, desviou para rotas alternativas ou começou a ficar inativa no Golfo de Omã, acrescentou ele.
— A Arábia Saudita, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos e o Catar são os mais expostos pois a maior parte de suas exportações de petróleo bruto e gás natural liquefeito por via marítima passa por Ormuz — disse Ampatzidis.
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Alguns navios, no entanto, continuaram a atravessar a via marítima, segundo dados de rastreamento da MarineTraffic e da Pole Star Global, outra empresa de dados.
— Minha suposição é que eles estão tentando sair enquanto ainda há uma chance melhor — disse David Tannenbaum, ex-funcionário de conformidade com sanções do Tesouro dos EUA.
O exército iraniano advertiu os navios no sábado para evitar o estreito, afirmando que a passagem por ele era “atualmente insegura”, segundo a Tasnim, uma agência de notícias ligada à Guarda Revolucionária Islâmica. Um oficial americano, porém, disse que não há evidências de que o Irã esteja tentando impor um bloqueio militar à via marítima.
Neste domingo, no entanto, um navio foi atingido no estreito em frente à costa de Omã, informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO. Outra embarcação foi alvo de ataques em frente à costa dos Emirados Árabes Unidos, também segundo a UKMTO e a empresa privada de segurança marítima Vanguard Tech.
A televisão estatal iraniana anunciou que um petroleiro estava “naufragando” após ter sido atacado ao passar “ilegalmente” pelo estreito de Ormuz, mas não forneceu mais detalhes. Nas imagens divulgadas pela televisão, é possível observar uma espessa fumaça preta saindo do petroleiro, em chamas.
Empresas suspendem navegação
A maior empresa de navegação do mundo, a italo-suíça MSC, ordenou neste domingo que todos as suas embarcações no Golfo se colocassem em segurança e suspendeu os carregamentos com destino ao Oriente Médio.
"Como medida de precaução, a MSC instruiu todos os navios que operam atualmente na região do Golfo, e aqueles que se dirigem para essa zona, que vão para zonas de refúgio seguras até novo aviso", anunciou a companhia em comunicado. "A MSC suspendeu todas as reservas de carga mundial com destino à região do Oriente Médio até nova ordem", acrescentou.
A companhia de navegação dinamarquesa Maersk também anunciou que, devido à deterioração da situação resultante do conflito no Irã suspenderá o trânsito de seus navios pelo Estreito de Ormuz "até novo aviso".
"A segurança de nossas equipes, navios e mercadorias dos clientes é a nossa prioridade número um. Suspendemos todo o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz até novo aviso", informou a empresa em um comunicado em seu portal na internet.
A alemã Hapag-Lloyd, 5ª maior empresa de navegação do mundo, também suspendeu todas as travessias pelo Estreito de Ormuz. Já a DP World, empresa líder global em logística e gestão portuária, suspendeu as operações no porto de Jebel Ali, em Dubai, segundo um comunicado enviado a clientes e visto pela Bloomberg neste domingo.
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Dificuldade para fechar o estreito
A Força Naval da União Europeia afirmou que a Guarda Revolucionária Islâmica havia alertado, por mensagem transmitida por rádio, os navios de que o trânsito pelo estreito de Ormuz “não está autorizado”.
Mas fechar completamente o Estreito de Ormuz é difícil para o Irã, pois exige uma presença militar contínua, o que reduziria a capacidade do país em outras operações, defende Ampatzidis.
— Historicamente, vimos mais frequentemente assédio, apreensões e alvos seletivos de navios em vez de um fechamento absoluto e prolongado do tráfego — afirma.
O presidente Donald Trump sinalizou que os EUA mirariam a capacidade do Irã de projetar poder no mar. “Vamos aniquilar sua marinha”, disse em um vídeo postado no X e na Truth Social logo após o início dos ataques.
Segundo a TankerTrackers.com, empresa que monitora remessas globais de petróleo, 55 petroleiros permanecem em águas iranianas — 18 carregados com petróleo bruto e 37 vazios. A crise no estreito ameaça os suprimentos globais de petróleo e as próprias exportações de petróleo do Irã.
