Tradicional castelo de areia da Praia da Barra, marca do bairro há 30 anos, é demolido pela prefeitura

 

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Quem já visitou a região da Praia do Pepê, no Posto 2, na Praia da Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, já deve ter notado um castelo de areia enorme, com um trono na frente e uma coroa para quem quiser usar ao posar diante dele. Diferentemente de outras estruturas em praias do Rio, esse castelo servia também como casa de Márcio Mizael, o artista por trás dele, e seu cachorro, Mano. Mas, nesta segunda-feira, 30, o castelo foi abaixo, após a Subprefeitura da Barra da Tijuca constatar risco de desabamento.

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Até então, quem passava em frente a ele via apenas o castelo, constantemente reconstruído pelo seu morador e artista, o Rei Castelinho, como Márcio Mizael é conhecido. Só que, olhando por trás, era possível notar uma pequena porta, que dava na residência do homem de 52 anos e seu cão vira-lata.

Em 2018, a vida de Márcio virou tema de diversas reportagens internacionais, em jornais como o espanhol El País e o britânico BBC. No vídeo da emissora britânica, ele dizia que seu estilo é "uma mistura de Oscar Niemeyer e Antonio Gaudi" — responsável pela Igreja da Sagrada Família em Barcelona.

No vídeo que circula nas redes sociais nesta segunda-feira, 30, é possível ver agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) do município do Rio desmontando a estrutura, que, por baixo, era sustentada por ripas de madeira: embaixo, na casa de Márcio, ficavam seus livros, uma de suas grandes paixões.

Em nota, a Subprefeitura da Barra da Tijuca afirmou que a retirada do castelo de areia foi realizada após denúncias sobre a condição do local, e que técnicos da Defesa Civil Municipal identificaram, após uma vistoria, que a escultura não possuía elementos permanentes que garantam a segurança da parte interna da estrutura (veja a nota na íntegra abaixo).

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Em outras imagens que circulam nas redes, Márcio aparece gravando um vídeo enquanto sua casa e sua obra são destruídas: “Trabalhei a vida toda aqui. E agora tão destruindo. Como eu faço aqui agora?”, fala ele, que diz ainda: “O que a prefeitura vai fazer comigo? Vai me jogar no lixo?”.

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Em vídeo, Márcio aparece com sua tradicional coroa enquanto agentes da SEOP desmontam estrutura

Reprodução

A Subprefeitura da Barra da Tijuca afirmou que "o responsável foi orientado previamente e pôde retirar seus pertences": "A Secretaria Municipal de Assistência Social ofereceu acolhimento institucional, que foi recusado", diz a nota.

A decisão dividiu opiniões nas redes sociais. Ambientalistas defenderam a ação da prefeitura, afirmando que Márcio cometia um abuso ao manter sua moradia na praia: “Isso não é perseguição. É cumprimento da lei”, diz uma pessoa em um post.

Por outro lado, muitos criticaram a decisão do município. Para alguns frequentadores da região, Márcio é considerado uma figura pública da Barra.

Outros ainda criticaram uma suposta ineficiência dos agentes públicos em coibir outros abusos, como a invasão da faixa de areia por parte de quiosques: “Quero ver mexer nos quiosques ao longo da praia que cercaram grande partes da areia e colocaram o seu lounge privado ocupando um espaço gigantesco”.

Leia na íntegra a nota enviada pela Subprefeitura da Barra da Tijuca:

"A Subprefeitura da Barra da Tijuca informa que a retirada do “Castelo de Areia” foi realizada após denúncias sobre as condições do local.

Técnicos da Defesa Civil Municipal identificaram, após uma vistoria, que a escultura não possui elementos permanentes que garantam a segurança da parte interna da estrutura e, com isso, apresenta risco de instabilidade e até desabamento de todo conjunto.

O responsável foi orientado previamente e pôde retirar seus pertences. A Secretaria Municipal de Assistência Social ofereceu acolhimento institucional, que foi recusado".

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