O número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil voltou a cair em 2025. Após uma alta de 2,1% em 2024, houve queda de 9,2% no ano passado, para 1,499 milhão de pessoas. Em dez anos, o recuo foi de 28,6%, com um contingente de quase 600 mil a menos que os 2,1 milhões de 2016.
Este é o menor número de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trabalho de Crianças e Adolescentes de 5 a 17 anos de idade, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Vemos uma tendência de queda gradual do trabalho infantil na última década, se olharmos a tendência. O ano de 2024 foi um ano atípico, não considero como interrupção dessa tendência como ocorreu entre 2019 e 2022, por causa da pandemia. Em 2025, é retomada a tendência de queda gradual”, afirma o analista do IBGE Gustavo Geaquinto, responsável pela pesquisa.
Na sua avaliação, o bom momento do mercado de trabalho, com aumento dos rendimentos, e o Bolsa Família podem ajudar a explicar a redução do trabalho infantil: “Temos um mercado de trabalho aquecido, com taxa de desocupação nos mínimos históricos e aumento da renda. O próprio Bolsa Família pode ter contribuído para garantir uma renda mínima das famílias. Se a renda geral do domicílio aumenta, pode contribuir para a criança deixar o mercado de trabalho”.
Outra forma de olhar o fenômeno é a proporção de crianças e adolescentes que se enquadra em trabalho infantil. No Brasil, em 2025, eram 4% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos se encontravam nessa situação, ante 4,3% em 2024. Em 2022, primeiro ano da pandemia que houve coleta da pesquisa, a proporção foi de 4,9%. O recorde foi em 2016, primeiro ano da série histórica da pesquisa, de 5,2%.
Nem todo trabalho de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos é considerado trabalho infantil. Pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), trabalho infantil é aquele que é perigoso e prejudicial para a saúde e o desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças e que interfere na sua escolarização.
Na legislação brasileira e na metodologia do IBGE, a classificação depende da faixa etária, do tipo de atividade econômica e do número de horas trabalhadas, por exemplo.
Os dados da pesquisa mostram ainda que o Brasil tem um contingente de 525 mil crianças em alguma das ocupações que forma a lista das piores formas de trabalho infantil. São atividades econômicas e situações perigosas, insalubres ou penosas, como construção civil pesada e operação de máquinas agrícolas, por exemplo.
O número caiu 6,2% em relação a 2024 e 31,2% ante 2022. Em dez anos, entre 2016 e 2025, o número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos nas piores formas de trabalho infantil recuou 42,9%, ao passar de 919 mil para 525 mil.
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