Trabalhadores rurais estão mais vulneráveis ao calor extremo no mundo, diz estudo

Trabalhadores rurais estão mais vulneráveis ao calor extremo no mundo, diz estudo - Foto
Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

O calor extremo, incêndios florestais e outros eventos climáticos agravam os riscos à saúde dos trabalhadores pelo mundo. Regiões agrícolas da África, das Américas (incluindo Brasil) e do sul da Europa registram até 50 dias adicionais de calor perigoso por ano, em comparação com a década de 1970, o que indica que os trabalhadores rurais estão mais vulneráveis a estes riscos. Os dados fazem parte do novo estudo do Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis (IPES-Food). De acordo com o levantamento, quase 1,4 bilhão de pessoas trabalham no setor agroalimentar em todo o planeta, o equivalente a dois em cada cinco trabalhadores. "As mudanças climáticas estão tornando o trabalho na produção de alimentos cada vez mais perigoso, enquanto milhões de trabalhadores continuam sem proteções básicas contra o calor extremo e outros eventos climáticos", afirma a análise. A agricultura responde por um terço de todas as mortes ocupacionais em escala global, em razão de riscos que incluem exposição a eventos climáticos extremos, jornadas prolongadas sem pausas e contato com pesticidas e produtos químicos nocivos. Atualmente, o estresse térmico já é apontado como a ameaça mais comum à saúde ocupacional na agricultura, alerta o estudo. Neste contexto, o especialista do IPES-Food Mamadou Goïta avalia que, em diversos países, "os governos continuam falhando em garantir até mesmo proteções básicas que salvam vidas, como sombra, descanso e água potável". Além disso, segundo o levantamento, a vulnerabilidade dos trabalhadores é agravada pela ausência de regulamentações adequadas e pela resistência à adoção de medidas de proteção contra os impactos climáticos. "Mesmo quando os direitos existem no papel, eles não são aplicados, devido à falta de inspeções e à prevalência da informalidade. É hora de fechar essas brechas, investir na fiscalização e garantir trabalho digno para todos os trabalhadores do setor alimentício”, diz Olivier De Schutter, copresidente do IPES-Food. Isso porque o relatório identifica que ainda há situações de exploração não só nas propriedades rurais, mas em toda a cadeia produtiva de alimentos. O IPES-Food é um laboratório de ideias (think tank) internacional sem fins lucrativos com sede em Bruxelas, na Bélgica, que reúne 25 pensadores e especialistas em diversas áreas e regiões do mundo. A organização realiza pesquisas aprofundadas, fornece recomendações de políticas e defende sistemas alimentares sustentáveis.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Globo Rural