Trabalhadores da fábrica de pneus da Sumitomo em Fazenda Rio Grande (PR) fazem 3 turnos, 7 dias por semana, há 13 anos, mas a japonesa descarta ampliar a unidade enquanto importados ocupam 70% da reposição

Trabalhadores da fábrica de pneus da Sumitomo em Fazenda Rio Grande (PR) fazem 3 turnos, 7 dias por semana, há 13 anos, mas a japonesa descarta ampliar a unidade enquanto importados ocupam 70% da reposição - Foto
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A informação foi dada por Fábio Torres, diretor de vendas de reposição e de marketing da Sumitomo, à AutoIndústria, em reportagem publicada nesta terça-feira (27). Segundo ele, qualquer novo passo depende de uma sinalização forte de crescimento do mercado brasileiro.

Hoje a demanda ainda não justifica ligar equipamentos que já estão instalados na unidade. A fábrica produz os pneus Dunlop e Falken e é uma das 11 que o grupo japonês mantém no mundo.

Ela emprega 2,2 mil funcionários, quatro vezes mais do que quando foi inaugurada, em 2013. A rotina é a mesma desde o primeiro ano: três turnos, sete dias por semana.

São 335 dias de produção por ano. Os outros 30 ficam reservados para a manutenção das máquinas.

Para quem trabalha na linha, isso significa escala de revezamento o ano inteiro. A parada só acontece quando a manutenção programada desliga os equipamentos.

A capacidade diária atual fica em torno de 23 mil pneus para veículos leves e 2 mil para pesados, segundo a AutoIndústria. Sem grandes obras, a produção poderia chegar a cerca de 30 mil pneus por dia.

É exatamente essa folga que a empresa prefere não usar enquanto o mercado não reagir. Cerca de 75% do que sai da fábrica vai para a reposição no Brasil, 20% para as montadoras e 5% para exportação a países da América Latina, incluindo o México.

A planta passou por pelo menos três ciclos de investimento. O último, de cerca de R$ 1,1 bilhão, foi anunciado em 2021 e concluído no fim de 2024.

Em 13 anos, o total chega a R$ 2,45 bilhões. Em fevereiro, a Gazeta do Povo registrou esse último ciclo em R$ 1,06 bilhão e descreveu a unidade como a mais moderna da empresa na América Latina.

Espaço não falta. Dos 500 mil metros quadrados do terreno, 171 mil têm área construída, e o projeto modular permite erguer mais 109 mil metros quadrados.

O freio tem nome: a avalanche de pneus importados, a maioria da China. Segundo a Anip, a associação dos fabricantes, as importações para reposição cresceram 58,3% de janeiro a agosto.

No mesmo período, as vendas das fabricantes nacionais para a reposição caíram 13,3%. Os importados passaram a responder por 70% desse mercado, contra 34% em 2019, mostrou a AutoData.

A China respondeu por 81% das importações de pneus de passeio até agosto. É justamente na reposição, onde a Sumitomo concentra três quartos da produção, que a disputa ficou mais dura.

O quadro mais grave está nos pneus de carga. As importações nesse segmento cresceram 116,2% entre janeiro e agosto, e os nacionais ficaram com só 28% da reposição.

Em números, as fabricantes instaladas no país venderam 2,8 milhões de pneus de carga à reposição até agosto, contra 3,1 milhões no mesmo período de 2025. As vendas totais de pneus de carga nacionais recuaram 7,2%, para cerca de 4 milhões.

Para a Anip, a perda de capacidade produtiva doméstica pode deixar o país mais exposto aos preços e à logística internacional de um produto essencial para a economia. A gente vê o reflexo disso na decisão da Sumitomo: a fábrica está cheia, mas a empresa não quer apostar em mais capacidade sem saber quem vai comprar.

A Anip cobra do governo medidas contra os importados. Em julho, a entidade lembrou que o México elevou a tarifa de importação de pneus para 35% e que a União Europeia aplica até 45,3% sobre os pneus chineses.

“Há um claro desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus”, disse Rodrigo Navarro, presidente da Anip, à Transporte Moderno. Os pedidos aguardam análise do Ministério do Desenvolvimento.

A associação também acusa parte dos importadores de não recolher pneus velhos. Com dados do Ibama, fala num passivo de mais de 500 mil toneladas em 14 anos.

O tema já apareceu aqui quando os pneus importados avançaram sobre o mercado brasileiro. Segundo Torres, a Sumitomo enfrenta a concorrência ampliando a linha de produtos, inclusive com medidas novas e itens importados para motos, além de mais garantia e serviços.

“Na pandemia criamos as lojas contêineres para atender os caminhoneiros em postos de combustíveis nas estradas. Seguimos com esse serviço, que hoje reúne 55 pontos”, disse o diretor.

Os contêineres ficam nos postos de rodovia e atendem o motorista de caminhão no caminho, sem que ele precise desviar até uma revenda na cidade. Os projetos de desenvolvimento no Brasil já incluem produtos para veículos eletrificados.

Segundo Torres, o primeiro pneu voltado a caminhões elétricos de carga deve ser apresentado em 2027. A empresa não informou se esse pneu será feito em Fazenda Rio Grande nem quanto pretende investir no desenvolvimento.

A Sumitomo não detalhou qual nível de vendas consideraria uma sinalização forte, nem quantos empregos uma nova expansão poderia abrir na Grande Curitiba. Por ora, a fábrica segue no limite da rotina de 13 anos, com a folga de produção guardada para quando o mercado voltar a crescer.

Na hora de trocar o pneu do carro ou do caminhão, você escolhe o fabricado no Brasil ou o importado mais barato? Conte nos comentários o que pesa na sua decisão.

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