Toyota cede à pressão de investidor ativista e fecha acordo de US$ 43 bilhões

 

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O grupo Toyota fechou um acordo histórico com a Elliott Investment Management para fechar o capital da divisão Toyota Industries Corp., abrindo caminho para a maior aquisição já realizada de uma empresa japonesa.

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A montadora e suas afiliadas agora estão dispostas a pagar ¥ 20.600 (US$ 131,25) por cada ação da Toyota Industries que ainda não possuem e estenderam o prazo da oferta até 16 de março. A nova proposta avalia a empresa em ¥ 6,7 trilhões (US$ 43 bilhões) e representa um aumento de 9,6% em relação ao preço anterior, que já havia sido elevado diante da pressão da Elliott.

A oferta melhorada — aceita pela Elliott — resolve efetivamente o impasse de grande visibilidade entre a Toyota e o investidor ativista, que argumentava que a proposta anterior subavaliava severamente a Toyota Industries. Também mostra como o movimento do Japão para reformar estruturas corporativas arraigadas e fortalecer os direitos dos acionistas criou as condições para que um debate aberto sobre o preço pudesse ocorrer.

Caso a aquisição seja concluída, será a maior já realizada envolvendo uma empresa japonesa, segundo dados compilados pela Bloomberg. Trata-se de uma situação vantajosa para ambos os lados, de acordo com Tatsuo Yoshida, analista do setor automotivo da Bloomberg Intelligence.

— O lado da Toyota enfrenta um ônus maior de financiamento, mas alcança seu objetivo final de fechar o capital da Toyota Industries. Já a Elliott ainda pode sair com uma avaliação significativamente mais alta do que antes — afirmou Yoshida.

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A Elliott Investment Management informou que venderá suas ações ao preço ofertado, classificando-o como “um resultado melhorado para os acionistas minoritários”, que “promoverá o desmonte das participações cruzadas dentro do Grupo Toyota e em todo o mercado japonês”.

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Enquanto isso, o novo presidente-executivo da Toyota Motor Corp., Kenta Kon, demonstrou otimismo com a perspectiva de conclusão do negócio.

— O preço revisado reflete adequadamente o valor de mercado da empresa, e acreditamos que os investidores concordarão — disse Kon, diretor da Toyota Fudosan, empresa imobiliária de capital fechado que lidera a operação, durante uma coletiva nesta segunda-feira.

Ele afirmou aos repórteres que o grupo Toyota se reuniu com investidores mais de 260 vezes para discutir a operação.

O fechamento compulsório de capital (squeeze-out) e a recompra de ações começarão possivelmente já em meados de maio, segundo a Toyota Industries Corp..

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O tempo adicional dá ao grupo Toyota mais oportunidade para conquistar investidores e avançar com o squeeze-out para concluir o negócio. O aumento de preço está condicionado à obtenção de financiamento junto aos bancos que apoiam a operação: Mitsubishi UFJ Financial Group., Sumitomo Mitsui Financial Group e Mizuho Financial Group.

O fundo ativista do bilionário Paul Singer havia acumulado uma participação de 7,1% na Toyota Industries até o início de fevereiro. A Elliott foi vocal em sua oposição ao fechamento de capital por considerar que a empresa valia mais perto de ¥ 26.000 (US$ 165,65) por ação.

— Sem dúvida, a Elliott obteve retornos consideráveis — disse Shigeru Matsumoto, professor da Universidade de Kyoto com experiência em fusões e aquisições. —Teria sido indesejável para o grupo Toyota retirar totalmente sua oferta, portanto foi significativo chegar a um acordo.

Se a operação de fechamento de capital — noticiada pela primeira vez pela Bloomberg há quase um ano — for concluída com sucesso, a Toyota Industries ficará sob o controle da Toyota Fudosan, presidida por Akio Toyoda, chairman e ex-presidente-executivo da Toyota Motor.

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Embora Akio seja neto do fundador da Toyota Motor, sua participação direta na empresa é inferior a 1%, enquanto a Toyota Industries detém 9,1% da montadora, diretamente e por meio de outras entidades. A aquisição aumentaria a participação e a influência de Toyoda sobre o grupo Toyota como um todo, que inclui fornecedores e participações em outros negócios, inclusive montadoras rivais.

Em junho passado, a proposta inicial do grupo Toyota de ¥ 16.300 (US$ 103,85) por ação foi alvo de fortes críticas, inicialmente de um grupo vocal de investidores estrangeiros que a consideraram desfavorável. A pressão adicional da Elliott levou o grupo a melhorar a oferta.

A Toyota Industries é líder no setor de empilhadeiras e também fornecedora-chave de motores para a Toyota Motor. Foi fundada há quase um século por Sakichi Toyoda. Suas origens como fabricante de teares têxteis marcaram o início do grupo Toyota, já que um de seus desmembramentos se tornaria posteriormente a maior montadora do mundo.

Akio, bisneto de Sakichi, atualmente preside tanto a Toyota Motor quanto a Toyota Fudosan.

Após décadas consolidando laços profundos dentro de seu império, o grupo Toyota vem enfrentando mais recentemente pressão do governo japonês para desfazer essas participações cruzadas, como parte de um esforço mais amplo para aumentar o retorno aos acionistas.

A tentativa de fechar o capital de seu negócio fundador também se tornou um teste de como essas reformas governamentais estão avançando.