Top Raica Oliveira fala sobre maternidade aos 40 anos e depressão pós-parto: 'Bastante desafiador'

 

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São mais de 20 anos de carreira, desfiles e campanhas para Jean Paul Gaultier, Dior, Armani e Saint Laurent e temporadas morando em Paris, Nova York e Ibiza. Cidadã do mundo, a modelo Raica Oliveira, de 42, encontra agora a plenitude ao voltar às origens. Desde o nascimento das gêmeas Zaya e Dahlia, em 2024, da relação com o artista plástico Sean Gabriel de Souza, ela e a família fixaram residência em Niterói, Região Metropolitana do Rio, onde a top nasceu. “Quero que as meninas cresçam aqui, tenham contato com a natureza, brinquem com a terra e os animais”, diz Raica, em entrevista por chamada de vídeo. A maternidade nunca foi o sonho da modelo, embora diga ser bastante apegada à família. Tornar-se mãe aos 40, portanto, foi quase “sem querer”. “Eu e Sean falávamos sobre o assunto. Ele queria, e eu pensava que se fosse para ser, seria. Quando desencanei, aconteceu”, conta. Logo que as filhas nasceram, experimentou o baby blues, a mudança de humor e tristeza no pós-parto. “Foi bastante desafiador, fiquei assustada, porque me deparei com duas bebês dependendo de mim para tudo. Amamentei até os quatro meses, era dia, noite, madrugada.”

Com a rotina menos acelerada e a vida dedicada à Zaya e Dahlia, Raica tem burilado melhor suas escolhas. Na Rio Fashion Week, desfilou para Salinas e Lenny Niemeyer, marcas que têm o DNA carioca. Amiga pessoal, Lenny acompanha a modelo desde os primórdios, quando foi descoberta em 1999 ao conquistar o segundo lugar no concurso New Look da Elite Models. “Não vivo sem ela. Desde nova, já tinha essa postura impecável. A mãe, Conceição, deu a ela uma ótima educação, e a ensinou a ter independência. Raica tem uma alma muito boa”, elogia. O fotógrafo Rodolfo Ruben, que trabalha com a top desde 2012, destaca a autenticidade como uma de suas grandes qualidades. “Ela é uma mulher única e muito observadora. Quando trabalhamos, vai fundo, deixa a superficialidade de lado e me entrega imagens absurdas, com muita verdade. É um ser humano autêntico!”

Raica Oliveira

Daniel Sulima

Em sua primeira incursão pelo mundo, aos 16 anos, Raica morou em Paris por seis meses. Mas sentiu, logo nos primeiros dias, um forte choque cultural. “A cidade é linda, mas os franceses são mal-humorados, não gostam de falar outro idioma. Era inverno e havia uma melancolia no ar”, relembra. Em seguida, desembarcou em Nova York, onde sentiu novos ares e um clima mais próximo do Brasil. Lá, viveu por 15 anos e fez trabalhos importantes para a Victoria’s Secret e Chanel. “Havia muitos brasileiros, pessoas mais acolhedoras e animadas.” Era o começo dos anos 2000, quando a magreza extrema ditava as regras na moda, algo que, 25 anos depois, volta a ter força, impulsionada pelas canetas emagrecedoras. “Nunca precisei fazer dietas malucas. Mas vivemos em uma sociedade preconceituosa, e a indústria da moda embarca nesses caminhos”, lamenta.

Raica Oliveira

Daniel Sulima

No auge da carreira, em 2005, a top também namorou o ex-jogador Ronaldo Fenômeno e foi alvo do assédio do público e da imprensa. “Foi difícil, porque sempre fui low profile e não gostava da exposição”, diz. Por isso, quase não fala da atual relação nas redes sociais. Ela e Sean — que é filho do PR global da Valentino, Cacá de Souza, e afilhado do estilista morto em janeiro —, conheceram-se em 2019, por amigos em comum. A top já desfilou pela marca e diz ter orgulho de ter trabalhado com o italiano e outros grandes designers. “Ele foi o último imperador da moda, um homem brilhante. Quanto a mim e ao Sean, temos muito em comum: gostamos de ioga, alimentação saudável, uma vida mais natural”, explica. Em breve, Raica também engata outro papel: o de empresária. No segundo semestre, lançará uma linha de perfumes. “É um projeto que comecei há quatro anos. Estudo perfumaria natural há algum tempo e sou apaixonada. Serão duas fragrâncias e um body splash”, conta. O nome da marca? “Por enquanto é surpresa”, diz, com um charme que só ela tem.

Raica Oliveira

Daniel Sulima