Toffoli manda lacrar bens apreendidos do Banco Master e mantê-los sob custódia do STF

 

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinou que todos os documentos e bens apreendidos na nova fase da Operação Compliance Zero, que tem como alvo o Banco Master, sejam entregues lacrados e mantidos sob custódia do próprio Supremo. A decisão é considerada inédita, já que, em regra, o material apreendido permanece sob análise da Polícia Federal.

No despacho, Toffoli fez duras críticas à atuação da PF, afirmando que houve “inércia exclusiva” e “falta de empenho” no cumprimento da operação, além de apontar ineficácia e prejuízo às investigações. Segundo o ministro, o descumprimento do prazo causou “espanto”.

A Polícia Federal havia solicitado autorização para a operação no dia 6 de janeiro, e a decisão judicial foi concedida no dia seguinte. No entanto, a ação não foi executada dentro do prazo. Diante disso, Toffoli estipulou um prazo de 24 horas para o cumprimento da medida, que só ocorreu após os investigadores identificarem que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tinha passagem comprada para Dubai na madrugada desta quarta-feira (14).

Fabiano Zettel foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, momentos antes do embarque. Toffoli também deu 24 horas para que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresente explicações formais sobre o descumprimento da ordem judicial.

Risco de perda de provas e nova frente de investigação

Ao justificar a decisão de manter os materiais no STF, Toffoli destacou a gravidade dos fatos investigados e o risco concreto de perda de provas relevantes. Segundo o ministro, a medida é necessária para garantir a preservação dos elementos apreendidos e o aprofundamento das apurações.

Nesta fase da operação, a PF cumpriu mais de 40 mandados de busca e apreensão. Além de Fabiano Zettel, outros alvos tiveram celulares e documentos recolhidos.

Entre eles está o investidor Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldade financeira. Ele não era alvo inicial da operação, mas entrou no radar após ser identificado com voo marcado nesta quarta-feira, do Rio de Janeiro para Curitiba. Tanure foi abordado no Aeroporto do Galeão, onde teve o celular apreendido.

Fraudes, fundos de investimento e empresários no foco

O foco da nova fase da Operação Compliance Zero vai além das chamadas carteiras fictícias do Banco Master. As investigações também apuram suspeitas de fraude envolvendo fundos de investimento, o que abriu uma nova frente de apuração e levou à inclusão de empresários entre os alvos.

Um deles é João Carlos Mansur, ex-presidente da REAG Investimentos, gestora que administra fundos ligados ao Master. A suspeita é de que a gestora e o banco tenham estruturado operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, com falhas graves na gestão de risco, crédito e liquidez.