Toffoli critica atuação da PF em operação que investiga Banco Master

 

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O ministro Dias Toffoli criticou a atuação da Polícia Federal em despacho nesta quarta-feira (14), no âmbito da segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. No documento, Toffoli afirma que a PF demorou a cumprir mandados judiciais por ele autorizados, o que, segundo o ministro, pode ter colocado em risco a efetividade das medidas.

De acordo com o despacho, a Polícia Federal solicitou autorização para a operação no dia 6 de janeiro, e o aval foi concedido por Toffoli no dia seguinte, 7 de janeiro. No entanto, diante da ausência de cumprimento das ordens, o ministro determinou, no dia 12, um prazo de 24 horas para que os mandados fossem executados. Ainda assim, as medidas só foram cumpridas na manhã desta terça-feira.

Por causa da demora, Toffoli deu novo prazo de 24 horas para que o diretor-geral da Polícia Federal apresente explicações sobre o descumprimento da ordem judicial. No texto, o ministro afirma que há “fartos indícios de práticas criminosas” e considera “estranha” não apenas a inobservância do prazo, mas também o que classificou como falta de empenho da PF, ressaltando que o órgão teve vários dias para planejar a operação.

O despacho também revela que a Polícia Federal pediu, já na véspera da ação, novas medidas cautelares após a informação de que Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, tinha passagem aérea para Dubai marcada para a madrugada desta terça-feira. Diante da suspeita de fuga, Toffoli autorizou a prisão temporária de Zettel. Com ele, os agentes apreenderam o telefone celular.

Daniel Vorcaro também foi alvo da operação, com mandado de busca cumprido em sua residência, além de outros parentes do empresário. Na primeira fase da Compliance Zero, no ano passado, Vorcaro chegou a ser detido no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai.

Outros empresários também foram alvos da ação, entre eles João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos, gestora responsável por fundos do Master. A empresa é suspeita de estruturar operações em desacordo com as normas do Sistema Financeiro Nacional.

O investidor Nelson Tanure também entrou no radar da operação após a PF identificar que ele tinha passagem marcada para esta terça-feira. Embora não fosse alvo inicialmente, os investigadores pediram autorização para medidas cautelares. Tanure foi abordado no aeroporto do Galeão, no Rio, onde embarcava para Curitiba, e teve o celular apreendido.

Mandados de busca também foram cumpridos na região da Faria Lima, em São Paulo, incluindo a empresa Sefer Investimentos. Segundo as informações divulgadas, a nova fase da investigação busca aprofundar apurações sobre carteiras fictícias e agora também sobre suspeitas envolvendo fundos de investimento.

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 100 mil em espécie, quatro carros de luxo, ao menos 16 relógios e uma arma. Toffoli determinou ainda o bloqueio e sequestro de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

No despacho, o ministro afirma que eventual frustração das medidas seria resultado de “inércia exclusiva da Polícia Federal” e determinou que todo o material apreendido seja lacrado e mantido sob custódia do Supremo Tribunal Federal, até nova decisão, impedindo que a PF fique inicialmente com os bens.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário colabora com as autoridades, que todas as determinações judiciais serão cumpridas com transparência e que ele permanece à disposição da Justiça.

A Polícia Federal não se manifestou sobre as críticas feitas pelo ministro.