'Toca e Passa': Caio Resende fala sobre regulamento de Fair Play Financeiro e comenta casos de Botafogo e Vasco

 

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No terceiro episódio da nova temporada, o "Toca e Passa", videocast do GLOBO, recebeu o mestre e doutor em economia Caio Resende, presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão autônomo responsável pela implementação e gestão do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). No bate-papo, o especialista deu detalhes sobre o novo regulamento de Fair Play Financeiro e as sanções que os clubes podem sofrer, e analisou o cenário atual do futebol brasileiro.

— Tem algumas sanções previstas nesse regulamento. Começa desde as sanções mais leves, advertência, multa, retenção de receita, até a restrição a inscrição de atletas, o famoso transfer ban, a dedução de pontos, rebaixamento e perda de licença do clube. Tem desde sanções bem mais leves até sanções mais pesadas. Quando a gente olha a experiência internacional, em geral existe um processo educativo. Você não começa aplicando um rebaixamento, dedução de pontos nos primeiros anos. As sanções vão ser mais leves — disse Caio Resende.

Assista à íntegra do episódio com Caio Resende:

O especialista também falou sobre os possíveis problemas com times que integrem redes multiclubes, como é o caso do Botafogo, com John Textor, e o possível caso do Vasco, que tem negociações com o empresário Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, fundador do Banco Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, para a venda da SAF:

— A agência não atua preventivamente. Atua depois do fato. Há uma previsão no regulamento da agência de que até 30 dias depois de qualquer mudança societária essa operação tem que ser informada para a agência, que vai analisar qualquer problema com elas.

— Se você está hoje numa estrutura multiclubes, em que alguns clubes que estão dentro de um país que tem sistema de sustentabilidade financeira e eu tenho um clube que está dentro do país que não tem, para eu atingir as regras aqui, a gente vai jogar meu dinheiro do clube do Brasil para lá, porque se eu tiver muito prejuízo aqui no Brasil, ninguém vai se importar, porque não tem nenhum regulador olhando. Mas lá fora tem um regulador olhando. Então mando meus ativos para lá, mando o dinheiro para lá para garantir que estou atingindo as regras, mas isso naturalmente prejudica o clube brasileiro. Então, o clube brasileiro fica com um grande déficit no balanço, porque antes não tinha ninguém olhando e ninguém falando "você não pode fazer isso". Agora tem. Agora tem regras aqui também que alinhadas com as melhores práticas do mundo, que dizem "você não pode ter prejuízo excessivo nesse clube, você não vai poder recorrer a esse tipo de estratégia" — disse Caio Resende sobre estruturas multiclubes.

O “Toca e Passa” é o videocast semanal do jornal O GLOBO, com oferecimento da Blaze, em que personagens do mundo da bola analisam suas carreiras e debatem temas relevantes do futebol. Confira todos os episódios no YouTube, no Spotify ou no Apple Podcasts.