'Tive certeza da impunidade', diz mãe de Thiago Flausino após absolvição de PMs envolvidos na morte do jovem

 

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A mãe do adolescente Thiago Flausino, morto por policiais militares, afirmou que teve a “certeza da impunidade” nesta quarta-feira, quando o julgamento dos agentes terminou com a absolvição pelo júri popular. Priscila Menezes Gomes de Souza conversou por mensagens com a reportagem da CBN e disse que não tem condições de conceder entrevista neste momento, mas fez questão de manifestar a indignação com o resultado do julgamento.

O Tribunal do Júri do Rio absolveu os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria das acusações de homicídio contra o adolescente, morto durante uma operação na Cidade de Deus, em 2023.

A decisão foi tomada após dois dias de julgamento no Tribunal de Justiça do Rio, no Centro da capital. A sentença foi lida pelo juiz Renan de Freitas Ongaratto.

Os PMs também foram absolvidos da acusação de tentativa de homicídio contra Marcos Vinícius de Souza Queiroz, que conduzia a moto onde Thiago estava.

Em depoimento, os policiais afirmaram que o adolescente atirou contra eles e admitiram ter efetuado os disparos que mataram Thiago e feriram Marcos Vinícius, que sobreviveu. Segundo a defesa, os agentes agiram em legítima defesa.

Os dois ainda respondem por fraude processual. De acordo com o Ministério Público do Rio, eles estavam em um carro particular durante a operação, e as apurações da Corregedoria apontaram indícios de que uma arma teria sido plantada próximo ao corpo de Thiago, na tentativa de incriminá-lo.

Foram ouvidos Marcos Vinícius, a mãe de Thiago, vizinhos e amigos do adolescente, um dos policiais que estava no carro particular usado na ação e o comandante da operação.

A defesa apresentou áudios em que Thiago dizia que trabalhava para um traficante. Imagens foram coletadas mostrando um adolescente com arma na mão em outros momentos, adolescente que seria Thiago. Já Marcos Vinícius afirmou em plenário que nunca viu o amigo armado e que ele não portava arma no dia em que foi morto.

No plenário, o público ficou dividido entre familiares dos policiais, parentes de Thiago e ativistas contra a violência policial. O pai do adolescente acompanhou a sessão vestindo uma camisa com a frase “Thiago vive em mim”.

Segundo Marcos Vinícius, os dois circulavam pela comunidade na motocicleta do pai de Thiago quando perderam o equilíbrio e caíram. Nesse momento, foram surpreendidos por um carro descaracterizado, de onde os ocupantes saíram atirando.

A investigação apontou que Thiago foi atingido por três tiros.

Antes do julgamento, familiares do adolescente protestaram em frente ao Tribunal.

A ONG Anistia Internacional repudiou a absolvição dos policiais. “Quando o foco do júri se desloca para a vida da vítima, e não para a conduta dos acusados, há uma inversão grave. O réu é quem está sendo julgado, e não o menino que foi morto. Questionar a trajetória de Thiago não contribui para a justiça; ao contrário, perpetua a violência e atinge seu direito à memória e à dignidade.”