Tiros de PM que rezou após balear suspeito quase atingiram dono de borracharia: 'Vocês são doidos?'
O dono de uma borracharia na Avenida Raiumundo Pereira de Magalhães, em Pirituba, na Zona Norte, que presenciou a morte do eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos, disse em depoimento que quase foi atingido por um dos sete tiros efetuados pelo cabo Cauan Alencar Bastos e o soldado José Otávio Ribeiro.
Na ocasião, Rodrigues dirigia um Corsa verde pela Avenida Raimundo Pereira de Magalhães quando parou em um sinal vermelho. Ele desceu do veículo com uma faca na mão e avançou em direção a um motociclista, que também aguardava no sinal, com quem havia discutido. Em seguida, o motoboy se afastou e correu até uma viatura policial próxima do local. Nesse momento, depois de dizer "vou matar ele", o cabo Bastos disparou seis tiros contra o homem; o sétimo foi proferido pelo soldado Ribeiro.
"Ouvi um barulho e verifiquei que um disparo de arma de fogo havia passado bem em frente ao meu corpo, acertando a parede da borracharia, na altura do pescoço", disse o homem, em 7 de maio, na Delegacia de Homicídios.
Ao sair para ver o que tinha ocorrido, o borracheiro viu Igor caído e questionou os policiais: "Vocês são doidos? Quase me matam", afirmou. Na sequência, um dos pms apontou a arma para o borracheiro e iniciou uma abordagem, fazendo com que ele se ajoelhasse. "Não sou ladrão", disse.
Além do depoimento, as imagens das câmeras nos coletes dos policiais mostram a abordagem após os tiros. Depois da revista, o borracheiro disse que se acalmou e pediu desculpas aos policiais. Na sequência, verificou que outro tiro acertou o letreiro de seu comércio.
Veja as ações abaixo. As imagens são fortes.
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A reportagem tenta contato com a defesa dos policiais. A PM foi indagada pelo GLOBO sobre as ações dos policiais, e enviou a seguinte nota:
"O caso ocorrido em Pirituba é investigado por meio de inquérito policial no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), e por meio de Inquérito Policial Militar (IPM) no 18º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (18º BPM/M), com acompanhamento da Corregedoria. Os agentes estão afastados do serviço operacional por determinação judicial".
O caso foi registrado na Polícia Civil e também está sob investigação na Justiça comum. As câmeras de segurança dos policiais envolvidos foram disponibilizadas em 1° de junho, após a Justiça determinar sua remessa.
Ouvidoria "indignada"
Em nota, a Ouvidoria das polícias paulistas afirma que o caso só foi tornado público após a divulgação das imagens das câmeras de segurança. Veja abaixo:
"A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo manifesta sua indignação diante da morte do eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos, em 29 de abril, durante uma ocorrência envolvendo policiais militares no Jardim Pirituba, Zona Norte de São Paulo. Trata-se de mais uma vida perdida em circunstâncias que exigem rigorosa apuração, transparência e responsabilização. Neste caso, foi o registro realizado pelas Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) que permitiu o esclarecimento dos fatos e a adoção das medidas tomadas. As imagens demonstram, mais uma vez, que as câmeras corporais são instrumentos indispensáveis para a proteção da população, para a valorização dos bons policiais e para o combate à impunidade.
