Tiro pelas costas e quebra de sigilo telemático: os laudos realizados e solicitados pela Justiça que servirão de provas no caso da PM Gisele Santana

 

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A Justiça Militar de São Paulo, que determinou a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito de matar a mulher, a também policial Gisele Santana, e de forjar seu suicídio, se baseou em uma série de laudos e relatórios para determinar a medida cautelar contra o oficial da PM paulista. Entre eles estão o necroscópico, logo após o óbito, e o da exumação, realizado semanas depois da morte da agente.

Além deles, o juiz Fabrício Alonso Martinez Della Paschoa, da 5° Auditoria Militar de São Paulo, ordenou a apreensão dos celulares do tenente-coronel e o afastamento do sigilo telemático dele. Agora, empresas de tecnologia serão oficiadas para que apresentem, inclusive, informações armazenadas na nuvem.

"Como decorrência da medida, defiro o afastamento do sigilo de dados do(s) aparelho(s) e dispositivo(s) apreendido(s), autorizando a extração e o exame do conteúdo, se necessário in loco, de todos os aparelhos celulares, smartphones, tablets, computadores e demais dispositivos tecnológicos, incluindo-se memória interna, cartões de memória, unidades de backup e armazenamento remoto em nuvem (Apple iCloud, Google Drive, Microsoft OneDrive, Dropbox e similares), aplicativos de conversa (WhatsApp, Telegram, Messenger, Skype e outros)", escreveu o magistrado.

Em outros laudos realizados pelo Instituto de Criminalística após a morte de Gisele, os investigadores verificaram que o tiro que acertou a soldado foi feito pelas costas, não pela frente, como em casos de suicídio.

"O Laudo de Reprodução Simulada aponta que o disparo de arma de fogo teria sido realizado pelas costas, possivelmente de forma súbita e inesperada, inviabilizando a possibilidade de defesa da vítima, circunstância que, se confirmada, revela acentuado grau de reprovabilidade da conduta. Há ainda indicativos de que o disparo possa ter ocorrido por volta das 7h28min, conforme relato de vizinha que afirmou ter ouvido forte barulho súbito nesse horário. Tal circunstância, além de se mostrar convergente com outros elementos constantes dos autos, assume contornos particularmente inquietantes quando analisada à luz da hipótese investigativa de posterior alteração da cena do crime", afirmou o juiz militar Della Paschoa, em sua decisão que determinou a prisão preventiva do tenente coronel.

Mais adiante no despacho, o juiz cita um parecer do Ministério Público que sintetiza a forma como o crime ocorreu.

"O mosaico probatório, portanto, afasta a hipótese de suicídio e indica que Gisele foi abordada por trás, com mão esquerda do agressor na mandíbula/face e arma na mão direita dirigida à têmpora direita; após o disparo, o corpo foi deposto ao chão, houve escoamento sanguíneo e manipulações subsequentes (inclusive posição da arma na mão), com limpeza/banho do autor, sendo o investigado a única pessoa com ela antes do fato e o primeiro a intervir na cena, o que robustece a autoria em seu desfavor", diz o MP.

Prisão no interior

Geraldo Neto foi preso na manhã desta terça-feira em São José dos Campos, no interior paulista. Segundo o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, o tenente-coronel se entregou sem resistência. Além da prisão, foi autorizada a apreensão de aparelhos celulares, quebra e sigilo de dados eletrônicos e o compartilhamento de provas entre Polícia Civil e a Polícia Militar.

— A prisão saiu no menor prazo possível, graças à sinergia das três polícias que trabalharam em conjunto. Foram provas produzidas pela Polícia Civil, pela Polícia Militar, pela Polícia Técnico-Científica. Eu posso garantir que esse foi o menor prazo possível para que a prisão fosse decretada com provas robustas, capazes de subsidiar o Ministério Público a oferecer denúncias — disse o corregedor da PM, Alex Reis Asaka.

— A hipótese de suicídio está afastada e temos indícios contundentes que ele fez a alteração local, o que levou ao pedido da prisão — continuou.

O mandado que decretou a prisão de Neto l foi expedido pela Justiça Militar na terça (17) na esteira de um pedido da Corregedoria da PM de São Paulo. Há ainda um outro pedido de prisão contra ele, este da Polícia Civil e endereçado à Justiça de São Paulo, que segue pendente de decisão.