Tim Cook, CEO mais longevo da Apple, deixa legado de trilhões de dólares e imagem sólida diante das big techs

 

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A Apple anunciou nesta quarta-feira que Tim Cook, CEO da empresa há 15 anos, se despedirá da função para dar lugar a John Ternus. À frente da fabricante do iPhone por mais tempo do que Steve Jobs, fundador icônico da empresa, Cook encerra sua gestão com o legado de ter elevado o valor de mercado da Apple de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões.

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Ternus assumirá como CEO em 1º de setembro, informou a empresa em comunicado nesta segunda-feira. Veterano da Apple, ele lidera a engenharia de hardware desde 2021 e soma 25 anos dedicados ao desenvolvimento de produtos na companhia. A Bloomberg e o The New York Times já haviam noticiado que Ternus era o principal nome na linha de sucessão de Cook — o que não se imaginava é que o anúncio chegaria tão cedo. Especialistas do setor especulavam que a transição ocorreria entre 2027 e 2031.

Trajetória de Cook

Embora tenha sucedido Steve Jobs com êxito e comandado uma forte expansão financeira da Apple, Tim Cook deixa o comando da empresa em um momento que analistas consideravam seu maior teste: conduzí-la para a era da inteligência artificial. O desafio, no entanto, estava à altura de outras conquistas do executivo. Ele inaugurou o clube das empresas do trilhão ao fazer a Apple ser a primeira da história atingir os valores de US$ 1 trilhão, US$ 2 trilhões e US$ 3 trilhões na Bolsa de Valores.

Além de impulsionar o crescimento de seu valor de mercado, Cook ampliou as frentes da Apple, transformando-a em uma gigante dos serviços, como Apple Music, Apple TV e Apple Pay, que garantem uma margem de lucro média de 75%. A divisão de serviços cresceu a receita de US$ 20 bilhões para US$ 100 bilhões com o CEO. Por fim, ele determinou que a Apple desenvolveria os próprios chips de computadores, o que reduziu a dependência de parceiros e aumentou a eficiência e performance de seus aparelhos.

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Em 2025, surgiram desafios extras: ele precisou navegar pelas decisões políticas de Donald Trump, que ameaçaram as cadeias de fornecedores e os preços dos dispositivos por meio de decisões tarifárias. Além disso, o presidente americano exigiu lealdade das gigantes da tecnologia em forma de promessas de investimento e acesso à tecnologia.

Em todo o processo, a Apple saiu quase sem arranhões, apesar de admitir inicialmente um impacto de US$ 900 milhões devido ao tarifaço. Em termos de imagem, saiu bem menos arranhada do que nomes como Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Sam Altman, que ficaram fortemente associados à atual administração dos EUA. É um histórico que pouca gente poderia antever:

— Há alguns casos em que a capacidade de Jobs de prever o futuro explode a minha cabeça. A escolha de Tim Cook é uma delas. Esses caras não poderiam ser mais diferentes um do outro. Steve Jobs e Tim Cook são de espécies diferentes. Jobs era um showman, barulhento e temperamental; ele chorava, ria e levantava a voz. Tim Cook é calado, introvertido e tímido. Nunca levanta a voz, é muito analítico, não é nada criativo e rebelde como Jobs. Quem imaginaria que ele seria o próximo líder? É realmente loucura. Mas Jobs, de alguma forma, sabia. Como ele sabia? Não consigo entender —, diz Pogue.