Tijuca fecha segunda noite do Grupo Especial com enredo sobre Carolina Maria de Jesus
A Unidos da Tijuca encerrou a segunda noite de desfiles com um grito contra o racismo. Ao contar a história da escritora Carolina Maria de Jesus, autora do clássico “Quarto de Despejo”, a agremiação cobrou reconhecimento à artista e apresentou outras facetas da homenageada, como a de multiartista responsável por discos gravados e poemas. Entre os destaques estiveram a teatral comissão de frente e a alegoria sobre o lixo, feita com uma tonelada de materiais recicláveis do barracão.
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Pelo menos 18 personalidades negras e intelectuais, como a também escritora Conceição Evaristo, a professora Fernanda Felisberto e a jornalista Flávia Oliveira, participaram do desfile carregando mensagens contra o racismo. A filha de Carolina, Vera Eunice, desfilou emocionada no último carro da Tijuca.
Um dos carros da escola foi confeccionado com papelões e materiais alternativos reciclados, descartados pelo próprio carnaval, representando a alegoria do “Quarto de Despejo” e transformando o lixo em arte.
A comissão de frente também emocionou o público. A escola foi na contramão de outras agremiações e apresentou um quesito mais teatral, com a maior parte da coreografia executada no chão da Avenida e utilizando um pequeno elemento alegórico que se transformava no quarto de Carolina.
A proposta da comissão ajudou toda a Sapucaí a acompanhar a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira Matheus Carvalho e Lucinha Nobre. Na cabine espelhada, novidade deste carnaval, eles chegaram a fazer uma reverência aos dois lados ao mesmo tempo — uma para cada lado.
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Ficha técnica:
Presidente: Fernando Horta
Carnavalesco: Edson Pereira
Intérprete: Marquinhos Art’Samba
Mestre-sala e porta-bandeira: Matheus Miranda e Lucinha Nobre
Mestre de bateria: Casagrande
Rainha de bateria: Mileide Mihaile
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"Carolina Maria de Jesus"
Eu sou filha dessa dor
Que nasceu no interior de uma saudade
Neta de preto velho
Que me ensinou os mistérios
Bitita cor, retinta verdade
Me chamo Carolina de Jesus
Dele herdei também a cruz
Olhe em mim eu tenho as marcas
Me impuseram sobreviver
Por ser livre nas palavras
Condenaram meu saber
Fui a caneta que não reproduziu
A sina da mulher preta no Brasil
Os olhos da fome eram os meus
Justiça dos homens, não é maior que a de Deus
Meu quarto foi despejo de agonia
A palavra é arma contra a tirania
Sonhei sobre as páginas da vida
Ilusões tolhidas no sistema algoz
Que tenta apagar nossa grandeza
Calar a realeza que resiste em nós
Dos salões da burguesia aos barracos do Borel
Onde nascem Carolinas
Não seremos mais os réus
Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados
Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado
Meu país nasceu com nome de mulher
Sou a liberdade, mãe do Canindé
Muda essa história, Tijuca!
Tira do meu verso a força pra vencer
Reconhece o seu lugar e luta
Esse é nosso jeito de escrever
Autores: Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi Da Estiva E Juca
