Tia de repórter morta em acidente na BR-381 decide mudar hábito para cuidar do filho da jornalista: 'Parei de fumar'
A morte da repórter Alice Ribeiro, de 35 anos, da Band Minas, após um acidente de carro em Sabará (MG), levou a tia e madrinha da jornalista, Patricia Horta, a tomar uma decisão pessoal em meio ao luto: parar de fumar para cuidar do filho da sobrinha, um bebê de 9 meses. Alice teve morte encefálica confirmada na noite desta quinta-feira, após a conclusão de um protocolo iniciado pela manhã, com exames que indicaram a perda irreversível das funções cerebrais.
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“E no meio de toda essa dor, eu tomei uma decisão por amor também. Pelo filho dela. Eu parei de fumar. Porque eu quero estar aqui, forte, presente… quero cuidar, proteger e amar ele como a Alice gostaria”, escreveu Patricia em um relato publicado nas redes sociais.
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A jornalista estava internada em estado grave no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, desde o acidente, ocorrido na quarta-feira.
Alice integrava uma equipe da emissora que produzia uma reportagem sobre a duplicação da rodovia BR-381 e a redução de acidentes no trecho quando o carro em que estava colidiu com um caminhão. No mesmo acidente, o repórter cinematográfico Rodrigo Lapa, de 49 anos, morreu no local.
'Silêncio que grita'
No relato, Patricia descreve a dimensão da perda e o vínculo com a sobrinha. “A dor de perder minha sobrinha, minha afilhada, minha Alice… é um silêncio que grita dentro de mim”, escreveu. “Ser madrinha é escolher amar. Mas com a Alice, não foi escolha — foi amor desde o primeiro instante. Eu a amei como filha”.
Alice tinha 15 anos de experiência no jornalismo e havia retornado ao trabalho em dezembro, após licença-maternidade. Era mãe de um menino de 9 meses, citado pela madrinha como motivação para a mudança de hábito.
A familiar também falou sobre a saudade e o impacto da ausência. “Tem horas que a saudade chega devagar, como um abraço que ficou faltando. Outras vezes vem forte, sem aviso, e machuca fundo. E no meio de tudo isso, fica uma pergunta que nunca se cala: por quê?”
Apesar do luto, ela destacou a permanência do vínculo afetivo. “Mas também fica o amor. Um amor que não acabou, que não se apaga, que continua vivo em cada lembrança, em cada detalhe, em tudo que a Alice foi e sempre será.”
Alice também era irmã de Bernardo Ribeiro, de 38 anos, que tem transtorno do espectro autista, e mantinha uma página dedicada à história do irmão, com foco em inclusão social.
Quem era o cinegrafista que morreu no acidente?
O portoalegrense Rodrigo Lapa, de 49 anos, era casado e tinha uma filha pequena. Nas redes sociais e em homenagens divulgadas por colegas, Rodrigo foi lembrado pelo bom humor, companheirismo e disposição para ajudar. Lapa havia voltado para a emissora em dezembro, depois de ter passado pela Band Minas entre os anos de 2022 e 2024.
Rodrigo Lapa, cinegrafista da Band, morto nesta quarta-feira
Reprodução | Instagram
O repórter cinematográfico dividia a rotina profissional com a palhaçaria. Homenagens divulgada pela emissora revelou que ele era palhaço de formação e dedicava parte do tempo livre a visitas em hospitais, com apresentações voltadas a crianças internadas. Há poucos dias, o cinegrafista participou do projeto “Garagens Periféricas”, iniciativa que transforma garagens residenciais em picadeiros de circo e espaços culturais em comunidades periféricas.
"Rodrigo transformava o mundo através da arte. Palhaço de formação, dedicava seu tempo a levar sorrisos a crianças hospitalizadas e, há poucos dias, brilhou no projeto Garagens Periféricas. (...) A Band Minas se solidariza com a família e amigos neste momento de dor, celebrando o legado de luz deixado por nosso colega", publicou a emissora.
O corpo de Rodrigo Lapa foi velado nesta quinta-feira no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte, onde também ocorreu o sepultamento.
