Theatro Municipal do Rio abre espaço para as artes visuais com pinturas de Augusto Portella e Daniel Frickmann

 

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Além de sua importância histórica, o Theatro Municipal, no Centro do Rio, é a casa centenária de diferentes expressões culturais, a exemplo da música de concerto e da popular, da dança, da ópera e do teatro. A partir desta quinta-feira (30), a instituição também abrigará, de forma mais constante, as artes visuais, com a abertura, às 19h, da mostra “Pano de fundo”, que reúne 34 pinturas inéditas de Augusto Portella e Daniel Frickmann.

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Expostas no segundo e no terceiro andar, nas paredes das galerias e do balcão nobre, as obras poderão ser vistas pelo público dos espetáculos e das visitas guiadas, além das visitas especiais que serão organizadas pelos próprios artistas e pelo setor educativo da instituição. O convite parte de uma proposta da presidente e da vice-presidente do Municipal, Clara Paulino e Maria Thereza Fortes, respectivamente, para trazer nomes da arte contemporânea para dialogar com aspectos arquitetônicos e históricos do prédio.

"Theatro Municipal" (2026), de Augusto Portella

Divulgação

Portella apresenta uma série de 16 pinturas em linho cru inspiradas em “Woyzeck”, peça do austríaco Georg Buchner publicada em 1879, e na ópera derivada “Wozzeck” (1925), de Alban Berg, mostradas pelo verso das pinceladas.

— É um jeito com que tenho pintado desde o ano passado. Como o público vê pelo verso, fica uma imagem mais esmaecida, sem tanto controle da mão. É literalmente um pano do fundo — diz Portella.

Já Frickmann expõe 18 pinturas feitas a partir de fotos de esculturas de resina retratando santos e entidades da umbanda e do candomblé — como São Jorge, Nossa Senhora Aparecida, Zé Pilintra e Iemanjá — e das turmas de bate-bolas, cujo concurso anual no carnaval acontece na Cinelândia, junto ao Municipal.

— O Augusto traz um aspecto mais interno, da própria historicidade do teatro. Eu trato do que está fora do Municipal, dessas imagens comuns na Lapa, no Centro, e dos bate-bolas, que se reúnem bem aqui, nas segundas e terças de carnaval — comenta Frickmann. — Para mim, são expressões tão elevadas quanto a arte institucional, acadêmica, e que trago para que possam coexistir nesse espaço.

Curadora da exposição, Carollina Carreteiro aponta que a proposta enriquece a visita de quem passa pelo Municipal para assistir a um espetáculo e se depara com obras contemporâneas em suas paredes:

— É uma forma de tensionar passado e presente, trazer uma produção inédita a um espaço tão conhecido do público. Poder ter essa plataforma para ampliar o acesso à arte só agrega à experiência.

'Bate-bola', de Daniel Frickmann

Divulgação

Augusto Portella explica que, apesar de não ser uma alusão tão evidente, uma de suas telas homenageia o pai, o barítono Nelson Portella, de 84 anos.

— Fiz uma tela a partir de um retrato dele imaginando o personagem Wozzeck chegando à velhice. Eu não cheguei a ver meu pai cantando no Municipal, deve ter uns 20 anos que ele não vem aqui, e voltará na abertura — conta. — Para mim é uma camada extra de emoção fazer essa exposição aqui.