Texas confirma quarto caso de parasita mortal para o gado em meio a risco para pecuária americana
A confirmação de mais dois casos do "verme-da-bicheira-do-novo-mundo" no Texas elevou para quatro o número de ocorrências registradas nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) confirmou nesta segunda-feira que as novas infestações foram identificadas em um bezerro no condado de La Salle e em um cão no condado de Andrews, ambos no estado do Texas.
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Os registros representam o retorno de um parasita que não era detectado em território americano desde a década de 1960. O verme-da-bicheira-do-novo-mundo é causado pelas larvas da mosca Cochliomyia hominivorax, que se alimentam de tecido vivo de animais de sangue quente, como bovinos, cavalos, cervos, cães e, em casos raros, seres humanos.
Segundo o USDA, os primeiros casos foram identificados na semana passada em dois bezerros jovens próximos à fronteira com o México. Um dos novos focos foi encontrado a cerca de oito quilômetros do primeiro caso confirmado. No caso do cão infectado, as autoridades informaram que o animal havia estado recentemente no México, levantando a hipótese de transmissão transfronteiriça.
— Enquanto lidamos com esses casos que exigem atenção imediata e continuamos investigando ocorrências suspeitas, trabalhamos simultaneamente para erradicar completamente essa praga — afirmou o subsecretário de Marketing e Assuntos Regulatórios do USDA, Dudley Hoskins, em comunicado.
A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, buscou minimizar preocupações sobre impactos imediatos no abastecimento alimentar. Em entrevista à CNBC, ela afirmou que a presença do parasita não representa risco para os alimentos consumidos pela população.
— Não é um vírus nem uma doença. É uma pequena praga, uma larva que se instala, por exemplo, em um ferimento de um bezerro, e pode ser tratada — disse.
Rollins acrescentou que o governo pretende investir mais de US$ 1 bilhão para conter o avanço da praga em direção ao norte e empurrá-la novamente para o México, repetindo a estratégia usada há cerca de 50 anos para erradicar o inseto dos Estados Unidos.
Parte desse plano inclui a liberação de moscas estéreis para reduzir a reprodução da espécie. Segundo a secretária, cerca de 10 milhões de insetos estéreis estão sendo lançados semanalmente nas áreas afetadas por via aérea e terrestre.
Temor para a pecuária
Embora o USDA ressalte que as larvas não contaminam carne, frutas, verduras ou outros alimentos, especialistas alertam para possíveis consequências econômicas caso a infestação se espalhe. O rebanho bovino americano já está no menor nível dos últimos 75 anos, e um surto mais amplo poderia provocar mortes de bezerros, perda de peso em animais adultos e redução da oferta de gado para abate.
O cenário também pode pressionar os preços da carne bovina, que já acumularam alta de aproximadamente 75% desde o fim de 2020, divulgou a Forbes. Além disso, medidas de contenção, como restrições ao transporte de animais, quarentenas e limitações nas importações vindas do México, poderiam agravar os impactos para produtores rurais.
A resposta do governo federal tem sido alvo de críticas de autoridades locais. O comissário de Agricultura do Texas, Sid Miller, acusou o USDA de agir lentamente diante do avanço da praga pelo México e de não utilizar todos os recursos disponíveis para impedir sua entrada nos Estados Unidos.
— Em vez de usar todas as ferramentas disponíveis, o USDA se moveu lentamente e confiou apenas em uma solução parcial que leva anos para ser plenamente implementada — afirmou Miller, ao pedir uma mobilização mais ampla do governo federal.
Rollins rebateu as críticas e disse que o governo está atuando com rapidez para conter a ameaça.
Considerada uma das doenças mais prejudiciais à pecuária mundial, o verme-da-bicheira-do-novo-mundo provoca feridas dolorosas e potencialmente fatais quando não tratadas. As larvas penetram no tecido saudável do hospedeiro e continuam se alimentando da carne viva, ampliando as lesões e aumentando o risco de infecções graves.
