Uma das atrações mais curiosas e fotografadas de Milão está passando por uma nova restauração após anos sendo submetida a um ritual turístico que, segundo a tradição local, garante sorte e o retorno à cidade. O alvo da intervenção é o famoso mosaico de um touro localizado no piso da histórica Galleria Vittorio Emanuele II, um dos cartões-postais da capital financeira da Itália.
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Há décadas, visitantes seguem uma superstição popular que recomenda posicionar o calcanhar sobre os testículos do animal representado no mosaico e girar três vezes sobre o próprio eixo. A crença promete boa sorte e uma futura volta a Milão.
O resultado do costume, repetido milhares de vezes todos os dias, é visível a olho nu. O desgaste contínuo abriu uma pequena cratera no local conhecido pelos turistas como o "ponto da sorte". Segundo autoridades municipais, as peças de cerâmica rosa que compõem a região mais tocada do mosaico vêm sofrendo erosão acelerada.
"A Galleria é um patrimônio vivo, que pode se desgastar justamente por ser amado e vivenciado. Nós cuidamos dele para que continue assim", afirmaram os vereadores Emmanuel Conte e Marco Granelli em comunicado divulgado pela prefeitura.
A restauração começou nesta semana. Um pequeno canteiro de obras foi montado ao redor da peça para permitir o trabalho do restaurador Gianluca Galli, responsável por substituir manualmente partes desgastadas da obra.
Imagens divulgadas pela imprensa italiana mostram o artesão ajoelhado sobre o mosaico, cortando e encaixando novas peças de pedra enquanto turistas observam o processo. Embora reconheça o apelo da tradição, Galli destacou os impactos da prática sobre o patrimônio histórico.
— É provavelmente um gesto encantador, mas também bastante prejudicial para uma obra de arte — afirmou à agência AFP.
O mosaico, em tons de azul e bege, retrata um touro empinado cercado por brasões e representa a cidade de Turim, primeira capital do Reino da Itália após a unificação do país. A última grande restauração do local havia sido realizada em 2017. Desde então, o fluxo constante de visitantes voltou a acelerar o desgaste da obra.
