Tesouro realiza maior venda de títulos desde 2020 diante de queda dos juros no mercado financeiro

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Tesouro Nacional vendeu nesta quinta-feira o total de R$ 33,28 bilhões em títulos prefixados (com taxas de rendimento fixadas no momento da venda) para vencimentos entre 2028 e 2037. Nas LTNs (Letras do Tesouro Nacional), o Tesouro arrecadou R$ 27,856 bilhões para vencimentos entre 2028, 2029 e 2032. Já com as NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional série F, que pagam juros semestrais), o órgão conseguiu vender R$ 5,427 bilhões em títulos com vencimento para 2031, 2033 e 2037. 🔴 AO VIVO: confira os movimentos do mercado financeiro Entrevista: ‘Daniella Marques, coordenadora de economia da campanha de Flávio, diz que 'autocontenção de gastos virá com diálogo entre Poderes’ De acordo com Sergio Goldenstein, ex-diretor do Departamento de Mercado Aberto do Banco Central e sócio da consultoria Eytse Estratégia, foi o maior leilão desde tipo de título desde dezembro de 2020, quando o Tesouro arrecadou R$ 44,3 bilhões em um único leilão.

— A ampliação expressiva da oferta sinaliza maior confiança do Tesouro na capacidade de absorção de títulos prefixados pelo mercado, em um ambiente de maior apetite por risco e redução dos prêmios de juros — disse Goldenstein. Os juros futuros têm registrado forte queda nesta semana. Na segunda-feira, chegaram a reduzir mais de um ponto percentual em uma única sessão, movimento expressivo para um dia. Nesta quinta-feira, eles seguem em redução. Juros futuros e câmbio registraram forte queda no início dessa semana Arte O Globo Na última terça-feira, o Tesouro Nacional já havia aproveitado o cenário de juros mais baixos e captou R$ 6,83 bilhões em títulos públicos atrelados à inflação, papéis que apresentavam dificuldade de atração diante das altas taxas. O volume captado pelo Tesouro foi quase duas vezes maior do que a média anual para leilões desse tipo, de R$ 3,5 bilhões.

Tudo se centra na expectativa de ajuste fiscal. Hoje, a trajetória crescente da dívida pública faz com que o governo precise oferecer rendimentos cada vez mais atraentes para conseguir honrar seus compromissos. Se houver uma revisão em seus gastos, a tendência é que esses juros diminuam. O mercado vê na alternância de poder chances maiores de que o ajuste seja realizado. Daí o movimento de redução nos chamados "prêmios de risco" após o resultado eleitoral do domingo. Ontem, em evento em São Paulo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a equipe econômica do candidato do PL tem vendido “pastel de vento” ao não mostrar como chegará aos resultados que almeja. — Tenho dificuldade de entender essa euforia — disse o ministro, referindo-se ao comportamento do mercado financeiro após o primeiro turno das eleições. Segundo Durigan, dizer que será possível fazer superávit fiscal sem mostrar como atingir isso de forma concreta é “vender ilusão”.

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