O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que dobrará o volume das operações de recompra de títulos de longo prazo do governo, após a disparada dos Treasuries de 30 anos, cujo rendimento saltou na terça-feira quase 5,34%, o maior nível desde 2007.
Em nota publicada em seu site, o órgão anunciou nesta quarta-feira que está "aumentando, em pelo menos duas vezes, o volume das operações de recompra para dar suporte à liquidez" de títulos nominais com cupons de prazo mais longo, com vencimento de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos.
O tamanho máximo atual de US$ 2 bilhões (R$ 10,41 bilhões) por operação passará a ser de ''pelo menos'' US$ 4 bilhões (R$ 20,82 bilhões) por operação.
De acordo com o Tesouro americano, a mudança entrará em vigor em 9 de setembro e permanecerá válida durante até 4 de novembro.
O aumento no tamanho das operações de recompra reflete o desejo do Tesouro de oferecer maior suporte à liquidez nos segmentos de títulos nominais de prazo mais longo, onde há uma demanda consistentemente forte por parte dos participantes do mercado.
Isso, segundo o órgão, é evidenciado pelo volume significativo de ofertas de alta qualidade que o Tesouro recebe regularmente em suas operações de recompra de títulos de prazo mais longo.
No entanto, a decisão de ampliar as recompras ocorre em um momento de crescente tensão no mercado de títulos mais importante do mundo, enquanto investidores se preocupam com o surto inflacionário provocado pela guerra do presidente Donald Trump no Irã e com o aumento do peso da dívida pública dos Estados Unidos.
A medida desencadeou uma forte alta dos preços dos títulos de longo prazo dos EUA, levando o rendimento dos papéis de 30 anos a cair 0,09 ponto percentual, para 5,2%.
O rendimento dos títulos de 10 anos recuou 0,07 ponto percentual, para 4,64%.
Depois de uma sessão de quedas na terça-feira, as bolsas de Nova York operam em recuperação nesta quarta-feira, puxadas pela ação do Tesouro americano.
No Brasil, o dólar recuou a R$ 5,16 na manhã desta quarta-feira, uma queda de 1,2%, enquanto o Ibovespa subiu mais de 1%.
Em sua nota, o Tesouro americano acrescenta que um cronograma provisório atualizado das recompras será divulgado posteriormente.
