Tesla começa a produzir robô humanoide Optimus em sua fábrica de carros na Califórnia

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A Tesla começou a produzir o robô humanoide Optimus em sua fábrica de Fremont, na Califórnia. A operação ocupa um espaço anteriormente dedicado à fabricação de carros elétricos e marca a tentativa da companhia de transformar o projeto, apresentado pela primeira vez em 2021, em um produto comercial. “Os robôs que estão saindo dessa linha são os primeiros com qualidade de produção que fabricamos”, afirmou a empresa no relatório do terceiro trimestre, divulgado na quarta-feira (21). Segundo a Tesla, o processo atual já se mostrou adequado para um produto comercial, embora o projeto do robô e a própria fabricação continuem passando por mudanças. O documento classifica a operação na Califórnia como uma etapa inicial de expansão. A companhia não informou quantas unidades já foram produzidas, o ritmo atual da linha nem o custo de fabricação de cada robô. Durante a teleconferência de resultados, Elon Musk procurou conter as expectativas. O presidente executivo da Tesla afirmou que a expansão será lenta e irregular porque o Optimus é um produto radicalmente novo. Segundo ele, ainda há alterações a fazer no desenho da máquina para que ela seja segura, confiável e capaz de trabalhar por longos períodos sem se desgastar. Musk também reconheceu que resta “bastante trabalho” na inteligência artificial para que o Optimus consiga desempenhar tarefas abertas, aquelas que não seguem sempre a mesma sequência nem acontecem em um ambiente totalmente controlado. Produção começa antes de o projeto ficar pronto A fabricação de um robô humanoide impõe à Tesla uma dinâmica diferente daquela de um automóvel já desenvolvido. A empresa precisa produzir unidades, testar componentes, corrigir o desenho e treinar a inteligência artificial ao mesmo tempo. Musk afirmou que seria preciso acertar cerca de 10 mil elementos para fazer a linha avançar e que o ritmo será determinado pelo componente ou processo mais lento. A Tesla também precisa construir uma cadeia mundial de fornecedores para peças que ainda não são produzidas na escala exigida por um produto de massa. A mão robótica continua entre os principais desafios. Ela precisa reunir motores, sensores e articulações capazes de manipular objetos delicados, mas também resistir ao uso repetitivo em fábricas e outros ambientes de trabalho. Na transcrição da teleconferência publicada pela TradingKey, Musk afirma que a maior parte dos equipamentos de uma linha projetada para fabricar até 1 milhão de unidades por ano já foi instalada em Fremont. Capacidade instalada, porém, não equivale ao volume efetivamente produzido. O executivo prevê que a Tesla levará ao menos um ano, e possivelmente mais, para alcançar um ritmo anualizado de 20 mil robôs por semana. A empresa espera começar a entregar unidades para clientes externos no fim de 2027, desde que consiga avançar no desenho eletromecânico, na confiabilidade, na vida útil e na inteligência artificial. As primeiras aplicações comerciais devem se concentrar em atividades industriais perigosas ou repetitivas. Antes de vender o Optimus a outras companhias, a Tesla pretende empregar os robôs em suas próprias operações. O relatório trimestral também informa que uma segunda estrutura de fabricação do Optimus está em construção no Texas. A estratégia indica que a companhia prepara capacidade industrial antes de concluir todas as etapas de desenvolvimento do produto. A aposta cresce enquanto o lucro cai O início da produção acontece em um trimestre de forte aumento dos gastos da Tesla. As despesas operacionais cresceram 39% na comparação anual, para US$ 4,776 bilhões. A companhia atribuiu a alta principalmente a investimentos em inteligência artificial e outros projetos de pesquisa e desenvolvimento, remuneração em ações e despesas administrativas. O lucro líquido atribuível aos acionistas caiu 43%, de US$ 1,373 bilhão no terceiro trimestre de 2025 para US$ 787 milhões no mesmo período de 2026. A receita ficou praticamente estável, em US$ 28,046 bilhões. A queda do lucro não pode ser atribuída integralmente ao Optimus. A Tesla também investe em direção autônoma, robotáxis, fabricação de chips, baterias e expansão de outras linhas industriais. A receita com créditos regulatórios diminuiu, e a companhia registrou aumento de custos em diferentes áreas. A mudança ajuda, porém, a dimensionar a aposta. A Tesla ainda depende principalmente da venda de carros, mas direciona uma parcela crescente de seus recursos para negócios que Musk apresenta como futuros motores da empresa, entre eles robótica e inteligência artificial. O TechCrunch observou que a produção do Optimus começou justamente quando os investimentos nesses projetos pressionam os resultados da companhia. A Tesla afirma que, com o tempo, pretende combinar o lucro obtido com hardware às receitas geradas por software, serviços e frotas autônomas. Musk voltou a prever que o Optimus poderá se tornar o maior produto da Tesla e, em sua avaliação, o maior produto do mundo. A empresa ainda não apresentou contratos com compradores externos, preço, volume produzido ou prazo firme para o início das vendas. No quadro de capacidade industrial do relatório trimestral, o espaço reservado ao Optimus na Califórnia traz apenas duas informações: “expansão inicial” e nenhuma capacidade declarada. Mais Lidas

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