'Terra gelada': como é o planeta descoberto que tem chance de ser habitável
Cientistas identificaram um novo exoplaneta com dimensões semelhantes às da Terra e localizado em uma região do espaço considerada potencialmente habitável. Batizado de HD 137010 b e apelidado de “Terra fria”, o corpo celeste orbita uma estrela parecida com o Sol, a cerca de 146 anos-luz do nosso planeta, segundo estudo publicado na revista Astrophysical Journal Letters.
O planeta é provavelmente rochoso e tem cerca de 50% de chance de estar dentro da chamada zona habitável — faixa orbital em que, sob condições atmosféricas adequadas, pode existir água líquida na superfície. A estimativa foi feita a partir de modelos matemáticos que simulam possíveis composições da atmosfera do exoplaneta, conforme explicam os autores do estudo liderado pelo astrofísico Alexander Venner, da Universidade de Southern Queensland, na Austrália.
Frio extremo e pouca luz estelar
Apesar da localização promissora, o ambiente do HD 137010 b é considerado hostil. A estrela que ele orbita fornece apenas cerca de um terço da luz que a Terra recebe do Sol. Com isso, a temperatura média estimada na superfície não ultrapassa os -68 °C, valor próximo ao registrado em Marte, cuja média gira em torno de -65 °C.
A descoberta foi feita por meio do método de trânsito, que analisa a variação de brilho da estrela quando o planeta passa à sua frente. No caso do HD 137010 b, a sombra leva cerca de dez horas para cruzar o disco estelar — na Terra, o fenômeno equivalente dura aproximadamente 13 horas. O exoplaneta completa uma volta ao redor de sua estrela em pouco mais de um ano.
Embora os dados iniciais indiquem potencial para habitabilidade, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários estudos adicionais. Observações futuras com telescópios como o Tess e o Cheops podem fornecer informações mais detalhadas sobre a atmosfera e as condições físicas do planeta.
A descoberta reforça a importância da busca por exoplanetas, tanto na tentativa de identificar ambientes onde a vida possa existir quanto para aprofundar o entendimento sobre a formação e a evolução de sistemas planetários. O estudo utilizou dados do telescópio Kepler, que foi aposentado em 2018, mas segue contribuindo para novas pesquisas por meio de seu vasto acervo científico.
