Terceiro dia do caso Henry Borel começa com depoimento de psiquiatra; júri pode se estender até o fim de semana
Após mais de dez horas de sessão na terça-feira e apenas duas testemunhas ouvidas, julgamento de Jairinho e Monique entra no terceiro dia com expectativa de depoimentos técnicos considerados centrais para acusação e defesa. O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, entra nesta quarta-feira no terceiro dia de sessões no 2º Tribunal do Júri da Capital. A primeira testemunha prevista para depor é o psiquiatra Rafael Bernardon.
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Na sequência, devem ser ouvidos o perito Luís Carlos Leal Prestes e a médica do Barra D'Or Maria Cristina de Souza Azevedo. A expectativa é que os depoimentos desta quarta avancem sobre aspectos técnicos do caso, após um segundo dia marcado por mais de dez horas de audiência, discussões entre acusação e defesa e apenas duas testemunhas efetivamente ouvidas.
Na terça-feira, prestaram depoimento os delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros, responsáveis pela investigação da morte de Henry. Durante a sessão, a juíza Elizabeth Machado Louro chegou a afirmar que as perguntas formuladas pela defesa de Jairinho estariam retardando o andamento dos trabalhos e advertiu que, mantido o ritmo atual, o julgamento poderia durar até um mês.
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Damasceno, que era titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) na época dos fatos, afirmou que o caso chegou inicialmente à polícia como um possível acidente doméstico, mas que a investigação seguiu outro caminho após a análise dos laudos periciais.
— No primeiro momento, chegou um relato como se fosse um acidente doméstico. A investigação foi seguindo e acabou mostrando um viés completamente diferente — declarou.
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O delegado também relatou que determinou a preservação do apartamento onde Henry morava com a mãe e Jairinho, mas afirmou que o local já havia sido alterado antes da chegada da perícia.
— O local já havia sido prejudicado, havia sido mexido porque a empregada Rosângela chegou e fez a limpeza no apartamento — disse.
Durante o depoimento, Damasceno detalhou ainda mensagens encontradas durante as investigações envolvendo a babá Thayná de Oliveira Ferreira. Segundo ele, conversas trocadas em 12 de fevereiro de 2021 mostrariam alertas enviados a Monique sobre um episódio em que Henry teria permanecido trancado em um quarto com Jairinho.
De acordo com o delegado, a investigação concluiu que a criança permaneceu no cômodo tempo suficiente para sair mancando. Ele afirmou ainda que a babá relatou ter batido na porta sem obter resposta e que Jairinho posteriormente teria lhe dado R$ 100. Segundo o depoimento reproduzido pelo delegado, Thayná pediu que Monique retornasse rapidamente para casa, recebendo como resposta: “Nossa, vim tão rápido que até borrei a unha”.
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Outro ponto explorado durante a oitiva foi a tentativa atribuída a Jairinho de conseguir que a declaração de óbito de Henry fosse emitida diretamente pelo Hospital Barra D’Or, evitando o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico-Legal (IML).
Segundo Damasceno, mensagens obtidas pela investigação mostram que o então vereador manteve contato insistente com um executivo da Rede D’Or.
— Ele pediu para que o corpo, para que o óbito fosse atestado no hospital e então não fosse encaminhado ao IML. Ou seja, para que o corpo não fosse periciado — afirmou o delegado.
Ainda segundo Damasceno, Jairinho chegou a pressionar o executivo para acelerar o procedimento e queria “virar logo essa página”.
A segunda testemunha do dia foi a delegada Ana Carolina Medeiros, que auxiliou nas investigações. Ela afirmou que Monique sustentou inicialmente a versão de que o filho teria sofrido um acidente doméstico e acusou a mãe de Henry de omitir agressões atribuídas a Jairinho.
— Ela relatou que o filho teria caído da cama e escolheu omitir as agressões reiteradas de Jairinho — disse.
O depoimento também abordou relatos de mulheres que tiveram relacionamento com o ex-vereador. Segundo a delegada, uma delas procurou Leniel Borel, pai de Henry, após o início das investigações.
— Se eu tivesse denunciado, talvez o seu filho não estaria morto — relatou Ana Carolina sobre o que teria ouvido da ex-companheira de Jairinho.
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A sessão também foi marcada pela exibição de fotografias da necropsia de Henry. Durante a apresentação das imagens, Monique Medeiros abaixou a cabeça e cobriu o rosto enquanto eram mostradas fotografias das lesões sofridas pelo filho.
Além disso, a defesa de Jairinho voltou a questionar os procedimentos adotados pelo Hospital Barra D’Or na noite da morte da criança, levantando dúvidas sobre o atendimento prestado e sobre a tentativa de reanimação realizada pela equipe médica.
Ao responder aos questionamentos, Damasceno afirmou acreditar que os profissionais de saúde tentaram salvar a criança justamente por se tratar de um menino de apenas quatro anos.
— Acredito que tentaram reverter uma tragédia — declarou.
