'Tentativa de intimidar profissional de imprensa constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão', diz ANJ
Após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmar haver indícios de que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, determinou que se forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para “prejudicar violentamente” o colunista do GLOBO Lauro Jardim, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), manifestou solidariedade ao jornal e ao jornalista.
Nota oficial: O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas contra o colunista Lauro Jardim
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"A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira", disse em nota.
O objetivo de Vorcaro, segundo Mendonça, era a partir do episódio, “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.
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Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular de Vorcaro revelam que o ex-banqueiro participava de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, no qual foi discutida uma estratégia para simular um assalto e atacar Lauro Jardim.
Nas mensagens reproduzidas na decisão de André Mendonça, o banqueiro teria dado autorização para que a ação fosse executada contra o jornalista.
Confira a nota da ANJ na íntegra:
"A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta sua solidariedade ao jornal O Globo e a seu colunista Lauro Jardim e expressa veemente repúdio às intenções criminosas que, segundo decisão do ministro André Mendonça, tinham por objetivo 'calar a voz da imprensa' que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.
A determinação do ministro baseou-se na descoberta de um plano do ex-banqueiro Daniel Vorcaro de simular um assalto para 'prejudicar violentamente' o jornalista. A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira.
A ANJ também cumprimenta a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística."
