Tensão em Ormuz aumenta após apreensão de navio 'arsenal flutuante' e naufrágio de embarcação indiana

 

Fonte:


Uma embarcação suspeita de atuar como um "arsenal flutuante" no Golfo de Omã teria sido apreendida por militares iranianos nesta quinta-feira, segundo a empresa britânica de gestão de riscos marítimos Vanguard. De acordo com a organização Operações de Comércio Marítimo (UKMTO), ligada ao comércio marítimo do Reino Unido, o navio agora segue em direção às águas territoriais do Irã. O caso ocorre após um navio de bandeira indiana ter sido atacado na quarta-feira na costa de Omã, naufragando em seguida.

Fluxo global sob pressão: Trump e Xi concordam que Estreito de Ormuz 'deve seguir aberto', diz Casa Branca enquanto Irã permite passagem de navios chineses

Rota estratégica: Irã lança site com novo sistema para supervisionar tráfego no Estreito de Ormuz

Dados de rastreamento analisados pela rede britânica BBC e pela plataforma MarineTraffic indicam que a embarcação, identificada como Hui Chuan e com bandeira de Honduras, transmitiu sua localização pela última vez a cerca de 70 km ao nordeste de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, na quarta-feira. Os dados de localização mostram ainda que a embarcação passou o último mês na costa nordeste de Omã e dos EAU.

Segundo os operadores, o navio funcionava como um depósito flutuante de armas usadas por empresas de segurança marítima para proteger embarcações contra ataques de piratas. A BBC afirmou, no entanto, que não conseguiu confirmar o que havia a bordo nem quem utilizava o material armazenado.

Initial plugin text

O caso ocorre após um ataque a uma outra embarcação, essa com bandeira indiana, na costa de Omã, na quarta-feira. Dados da MarineTraffic mostram que a embarcação havia saído do porto de Berbera, na Somália, em 6 de maio, com destino a Sharjah, nos EAU. O navio transportava gado no momento do incidente.

Segundo autoridades indianas, o navio Haji Ali teria afundado após uma explosão possivelmente causada por um drone ou míssil. De acordo com a Vanguard, um incêndio começou a bordo, obrigando a tripulação de 14 membros a abandonar a embarcação antes do naufrágio.

"O ataque a um navio de bandeira indiana na costa de Omã ontem é inaceitável, e deploramos o fato de que a navegação comercial e os marinheiros civis continuem sendo alvos", disse o Ministério das Relações Exteriores da Índia em um comunicado. "Todos os tripulantes indianos a bordo estão seguros, e agradecemos às autoridades omanitas por resgatá-los".

Vários navios foram atacados no Estreito de Ormuz ou em suas proximidades, onde o Irã e os Estados Unidos se enfrentam por meio de bloqueios cruzados.

Desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, o Irã bloqueou a passagem pelo Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito. Os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos, apesar do frágil cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.

No início deste mês, Teerã anunciou uma zona de controle mais ampla em Ormuz, que se estende da fronteira iraniana até Fujairah e Umm al-Quwain, nos EAU. Dez navios transportando petróleo, combustível e gás conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz desde domingo, um aumento em relação às últimas semanas, apesar do impasse nas negociações para a abertura total do estreito e o fim da guerra, que já dura três meses. Ainda assim, o número de trânsitos está muito abaixo dos níveis pré-conflito.

Na semana passada, o Irã apreendeu um petroleiro no Golfo de Omã que aparentava ser uma embarcação sancionada transportando barris de petróleo do próprio país. A mídia estatal afirmou que o navio buscava "explorar as condições regionais", sem dar mais detalhes. Também ocorreram outros ataques no Golfo Pérsico, incluindo um navio cargueiro atingido por um drone perto do Catar, que causou um pequeno incêndio.

Com agências internacionais.