Tenente-coronel investigado por morte de PM tem histórico de denúncias de ex-companheiras, diz advogado
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto tem um histórico de denúncias de ex-companheiras e colegas de trabalho há mais de 15 anos. É o que afirma o advogado da família da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento em que morava na região central de São Paulo. O caso foi inicialmente registrado como suicídio e, agora, é investigado como morte suspeita após a família da vítima dizer que ela vivia uma relação abusiva com o tenente-coronel da PM.
Nesta segunda-feira (16), o advogado José Miguel da Silva Junior apresentou três ações e uma condenação contra o tenente coronel, contrariando uma entrevista recente do policial, em que ele dizia nunca ter sido condenado na justiça. Três das ações são de ex-companheiras. A mais antiga é de 2009. A mesma vítima, em 2010, pediu medida protetiva na justiça contra o tenente-coronel.
Outra ex-companheira, em 2022, acionou a polícia para denunciar Neto que, segundo o boletim de ocorrência, estava dentro da casa dela, armado, e fazendo ameaças. Segundo o advogado da família de Gisele, esse caso “não deu em nada”.
Já sobre a condenação, a defesa de Gisele explicou que foi um caso de assédio moral em que o estado, já que Neto pertence à autoridade policial estadual, teve que pagar 5 mil reais para uma policial feminina que alegou ter sido assediada e perseguida pelo oficial, que era superior na hierarquia. Em entrevista para a TV Record, o oficial afirmou que as denúncias de assédio eram retaliação por causa de cobranças que ele fazia para que subordinados realizassem o trabalho deles.
O advogado ainda apresentou um áudio para negar a afirmação do tenente coronel de que Gisele não queria se separar. Na mensagem, enviada para os pais no ano passado, Gisele pede para o pai arrumar uma casa para ela, mostrando o indício de que queria deixar o imóvel em que dividia com Neto.
“Não, pai. Pra mim é melhor ser na rua, entendeu? Quanto mais perto, melhor. Porque de manhã eu vou sair muito cedo para trabalhar e vou ter que deixar a Giovana dormindo aí. Era isso que eu estava pensando. Então, quanto mais perto, melhor: eu já deixo ela aí e, durante o dia, pego o trem para ir trabalhar", diz o áudio.
A defesa da família de Gisele, apesar de dizer que acredita nas autoridades policiais, também questionou como a perícia foi feita nesse caso: “Morte violenta: a autoridade competente deveria ter tomado todos os procedimentos, e eles não foram tomados. Eu não acredito em corporativismo, acredito que houve um pouco de descaso. Acho que começaram a levar o caso a sério quando a imprensa passou a cobrar. Mas imagine uma família humilde, como a da Gisele, chegando a uma delegacia e encontrando do outro lado um tenente-coronel, com um desembargador e toda a força policial ao seu lado.”
O advogado da família da policial acredita que há elementos suficientes para a prisão do tenente-coronel, e lembra que o inquérito já está em vias de ser concluído, a não ser que as autoridades peçam mais prazo.
Na sexta-feira (13), a Polícia Civil ouviu o ex-marido da soldado. No depoimento, na condição de testemunha, o pai da filha de Gisele afirmou que a menina, de sete anos, não queria mais conviver com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto por causa das ameaças que, segundo ele, a mãe sofria no apartamento.
O Inquérito Policial Militar ao qual a TV Globo teve acesso registra que Gisele vivia “sob temor manifestado” diante das atitudes do marido. O documento também aponta que o disparo que causou a morte da soldado ocorreu após uma discussão do casal.
Na quarta-feira (11), representantes da Corregedoria da Polícia Militar e delegados da Polícia Civil se reuniram e concluíram que as provas reunidas até o momento são suficientes para embasar um pedido de prisão temporária de Geraldo Rosa Neto. Mas, as autoridades decidiram que vão esperar a conclusão do laudo necroscópico para fazer o pedido.
A conclusão estava prevista para a sexta-feira, mas foi adiada para esta semana. O tenente-coronel está afastado das funções na PM.
