ste texto é parte da newsletter Tempo de Sobra, de Mariana Coutinho. Em cinco capítulos, a série mostra como recuperar a atenção no dia a dia e focar no que realmente importa. Para receber no seu e-mail, clique aqui.
A nostalgia com o início da internet tomou conta dos feeds nos últimos tempos. E não é à toa. As formas de estar online mudaram completamente desde que nos conectamos. E uma das principais mudanças foram justamente os algoritmos de recomendação nas redes sociais. E o que isso tem a ver com o seu tempo? Tudo! Já notou como é comum entrar no Instagram, no TikTok, no Pinterest ou até mesmo no Linkedin com o propósito de pesquisar alguma coisa e se perder completamente? Quando você vê, gastou meia hora vendo imagens e vídeos aleatórios e esqueceu para que tinha aberto o aplicativo. Isso acontece porque os algoritmos de recomendação nos colocam em uma navegação passiva, isto é, aquela em que ficamos à mercê do que é mostrado e escolhido para nós. Para piorar, o conteúdo curto e dinâmico tem natureza viciante. Uma vez capturados, demoramos a nos desvencilhar.
Perdeu algum capítulo desta newsletter? Clique aqui Por um lado, ter um código que já conhece nossas preferências e nos oferece descobertas potencialmente interessantes tem suas vantagens. Por outro, perdemos o controle de como estamos gastando nosso tempo online. “Treinar o algoritmo” funciona para receber coisas mais dentro do que gostamos, mas, ao mesmo tempo, deixa esse aspecto viciante ainda mais acentuado. Podemos até nos distrair com coisas legais, mas, ainda assim, acaba sendo uma distração sem muito propósito. E qual o remédio para isso? Como dá para parar com esse ciclo de só ver o que é mostrado, ter a atenção capturada e passar mais tempo do que gostaríamos nesses aplicativos? Com o extremo oposto da navegação passiva. Sem cuidado, tempo online acaba sendo uma distração sem muito propósito Pexels Por uma navegação ativa A navegação ativa seria justamente aquela do início da internet. Você abria o navegador e ia direto para a página que queria, fosse o portal de notícias, um blog ou o site de uma loja. Ou, então, fazia uma busca e ia direto ler sobre o assunto que estava procurando. Parece simples, mas essa atitude ativa nos deixa menos à mercê dos algoritmos de recomendação e mais no controle de quanto tempo e com o que passamos on-line.
Nas semanas anteriores, já tomamos algumas providências para passar menos tempo no celular, incluindo temporizadores nas redes sociais para limitar os minutos que passamos por lá, certo? Agora, está na hora de olhar para como esse tempo está sendo gasto. Dá para navegar com mais propósito. Clique aqui para se inscrever na newsletter Tempo de Sobra Se você curte muito a descoberta que o algoritmo proporciona e gosta de acessar a página “For You” do TikTok ou o “Explorar” do Instagram, separe um tempo para fazer isso sem culpa. Que tal cinco ou dez minutos de descoberta diários dentro do seu tempo total nas redes? Esse tem que ser um acordo com você mesmo e vai exigir algum autocontrole.
O segredo talvez seja deixar o momento de descoberta para o final e não no início da navegação. Tente só abrir os aplicativos das redes quando tiver algo em mente: para pesquisar alguma coisa ou com a ideia de ver as atualizações de algum perfil específico. Depois de fazer isso e ver tudo que você queria, então se dê alguns minutos de descoberta, abusando do algoritmo de recomendação. Conheça o cardápio de newsletters do GLOBO Limpa nas redes Outra ação interessante para dar mais propósito ao tempo online pode ser fazer uma limpa em quem você segue para receber menos conteúdo que não te interessa. Isso faz com que o tempo de navegação passiva tenha um pouco mais de direcionamento. Se a ideia é só se atualizar sobre amigos e família, talvez você não precise seguir tantos influenciadores, artistas e páginas. Se você usa as redes para se informar, escolha só os veículos em que realmente confia e mantenha só os que você gosta muito.
Tire perfis que não te acrescentam em nada, postam demais e você nem sabe porque estava seguindo. Se não quiser se indispor com um conhecido, você pode usar a ferramenta de “silenciar” para não ver as postagens daquela pessoa ao invés de deixar de seguir. O importante é só deixar no feed o que realmente faz sentido.
Tudo isso vai fazer com que você veja menos do que não te interessa realmente. Não para um tempo mais produtivo nas redes, mas para um tempo mais significativo. Ao limitar o tempo nas redes, estamos falando de quantidade de tempo gasto. Ao adotar uma navegação mais ativa e direcionar mais quem seguimos, estamos tentando melhorar a qualidade desse tempo. Assim, não vai parecer que estamos só desperdiçando tempo na internet. A autora Mariana Coutinho apresenta a newsletter Tempo de Sobra Para se aprofundar LIVRO: 'A geração ansiosa', de Jonathan Haidt O psicólogo social Jonathan Haidt investiga o papel das telas no vertiginoso aumento de transtornos mentais entre crianças e adolescentes a partir dos anos 2010. Ele avalia como passamos de uma “infância do brincar” para uma “infância no celular” e quais foram as consequências disso no mundo todo. Aponta também algumas ações para pais, professores, empresas de tecnologia e governos para limitar o uso de telas e redes sociais entre crianças e adolescentes e reverter essa situação. INSTAGRAM: Clube do Offline Um projeto da jornalista Talissa Monteiro para explorar a vida offline, com uma comunidade ativa e muitas dicas de hobbies, programinhas fora da internet e ações também para fazer da internet um lugar mais legal.
Leia mais no Tempo de Qualidade Por que é (quase) sempre horrível viralizar na internet? Por que você acredita no TikTok como seus pais acreditam no Facebook? Quem quer vídeos curtos? Você ou o algoritmo? Mariana Coutinho é jornalista, doutora em Estudos de Linguagem e autora da newsletter Tempo de Qualidade — também uma página no Instagram.
O Globo