Temperatura medida duas vezes ao dia e pedidos de Starbucks: passageiro mostra rotina em quarentena nos EUA após surto de hantavírus; assista
O passageiro de cruzeiro Jake Rosmarin, de 29 anos, transformou o próprio isolamento em um diário nas redes sociais. Em quarentena obrigatória após viajar no navio holandês MV Hondius, onde um surto de hantavírus matou três pessoas e deixou outros passageiros doentes, o americano passou a compartilhar com seus 135 mil seguidores no Instagram como tem sido a rotina dentro da Unidade Nacional de Quarentena, em Nebraska, nos Estados Unidos.
Unidade de Isolamento do hantavírus: conheça lugar para onde 15 americanos foram levados depois de saírem de cruzeiro
Hantavírus em cruzeiro: Passageiro americano de navio afetado por doença testa negativo
Jake, que deveria ter retornado para casa em Boston para reencontrar a noiva, agora enfrenta mais de 40 dias de isolamento em Omaha. Nesta quarta-feira (13), ele publicou uma atualização detalhando o cotidiano no quarto onde está confinado: uma cama, uma bicicleta ergométrica, escrivaninha, TV, banheiro, cômoda e poucas distrações além do celular e das encomendas que recebe para amenizar a solidão.
Confira:
Initial plugin text
Temperatura medida duas vezes por dia e pedidos de comida
Segundo ele, a rotina segue horários rígidos. Duas vezes por dia, enfermeiras sempre “paramentadas” entram para medir sua temperatura e verificar se há sinais de febre alta, um dos principais sintomas do hantavírus. Jake explicou que os profissionais usam máscaras, escudos faciais e trocam de roupa entre cada quarto para evitar qualquer risco de contaminação.
— Não são exatamente trajes de proteção química, mas máscara e escudo o tempo todo — relatou.
As refeições também fazem parte da rotina organizada. Todas precisam ser escolhidas na noite anterior, e ele contou que muitas vezes nem lembra o que pediu quando acorda. Nesta terça-feira (12), mostrou o café da manhã composto por ovos mexidos, bacon, muffin inglês e café com leite de amêndoa e baunilha.
Jake Rosmarin
Redes Sociais/@jakerosmarin
— Estou começando a descobrir minhas combinações favoritas de comida por aqui — disse.
Além disso, ele pode solicitar itens extras como cobertores, travesseiros e até café da Starbucks. O gesto da equipe chamou sua atenção.
— Uma coisa que eu realmente quero enfatizar é o quão gentis todos aqui têm sido. Eles até me perguntaram de qual Starbucks eu gostaria — contou.
Para enfrentar o isolamento, Jake também recebe encomendas de familiares e amigos, como travesseiros novos, protetor de colchão e até um livro de colorir para adultos. Ele mantém contato por telefone com os parentes e troca mensagens com outras 14 pessoas que estão no mesmo centro de quarentena.
O que é o hantavírus
O surto no MV Hondius foi confirmado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como causado pelo hantavírus andino, uma cepa rara encontrada principalmente no Chile e na Argentina e considerada a única variante conhecida com capacidade de transmissão entre humanos.
A doença costuma ser transmitida pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores, mas o vírus dos Andes representa uma exceção por permitir transmissão entre pessoas em contato próximo e prolongado. A OMS estima que essa cepa possa ter taxa de mortalidade de até 40%.
Os sintomas incluem febre, dores musculares, fadiga, náuseas e rápida evolução para dificuldades respiratórias graves. Até agora, pelo menos 12 casos suspeitos foram registrados entre passageiros do cruzeiro, incluindo turistas franceses, italianos, espanhóis, britânicos e americanos. Autoridades da África do Sul também confirmaram infecções ligadas à mesma cepa.
Enquanto autoridades sanitárias monitoram novos casos e a OMS alerta para a possibilidade de mais infecções, Jake segue transformando sua quarentena em relatos públicos, uma tentativa de manter a rotina e, ao mesmo tempo, mostrar ao mundo como é viver semanas inteiras sozinho, esperando apenas o fim do isolamento.
