Telescópio registra redemoinhos no Sol pela primeira vez e pode representar avanços nas pesquisas; vídeo - QTU Questões do Universo

Telescópio registra redemoinhos no Sol pela primeira vez e pode representar avanços nas pesquisas; vídeo

Fonte: Bandeira da fonte

Cientistas registraram pela primeira vez pequenos redemoinhos na superfície do Sol, um fenômeno previsto pela física há mais de 150 anos, mas nunca observado diretamente.
As imagens, captadas pelo telescópio solar Daniel K.
Inouye, da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF), podem representar um avanço importante para a compreensão da atividade solar e do chamado clima espacial, que afeta satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação na Terra.
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A descoberta foi publicada nesta quarta-feira (5) na revista científica Nature e foi possível graças ao telescópio instalado no topo do vulcão Haleakalā, no Havaí.
Nas redes sociais, a NSF destacou que os padrões em forma de redemoinhos podem ser a chave para explicar a atividade do Sol e compartilhou a imagem de maior resolução já obtida da superfície visível da estrela.
"A descoberta da KHI pode explicar por que a atmosfera externa do Sol atinge temperaturas tão elevadas e como a energia magnética se acumula e se desloca ao seu redor, inaugurando uma nova era de descobertas", diz a publicação da NSF.

O fenômeno observado é conhecido como instabilidade de Kelvin-Helmholtz (KHI, na sigla em inglês).
Ele ocorre quando duas camadas de um fluido deslizam uma sobre a outra em velocidades diferentes, formando pequenos vórtices.
O mesmo processo já havia sido observado em ondas dos oceanos, nuvens e nas atmosferas de planetas como Júpiter e Saturno, mas nunca de forma clara no Sol.
Os pesquisadores acreditavam que a instabilidade existia na estrela, porém os telescópios disponíveis até então não tinham resolução suficiente para identificar estruturas tão pequenas.
Com capacidade para registrar detalhes de cerca de 19 quilômetros, o Daniel K.
Inouye revelou redemoinhos com diâmetro entre 25 e 170 quilômetros, separados em média por 65 quilômetros e se deslocando a velocidades de até 3 quilômetros por segundo.
Para confirmar a descoberta, a equipe comparou as imagens com simulações computacionais da atmosfera solar.
Os modelos reproduziram vórtices com formatos, dimensões e movimentos semelhantes aos registrados, reforçando que as estruturas são realmente provocadas pela instabilidade de Kelvin-Helmholtz.

Segundo os autores do estudo, esses pequenos redemoinhos misturam o plasma magnetizado com o material ao redor e torcem continuamente as linhas do campo magnético, acumulando energia que pode ser liberada posteriormente.
Essa energia alimenta fenômenos como erupções solares, jatos de plasma e ejeções de massa coronal.
Quando direcionados à Terra, esses eventos podem provocar interferências em satélites, sistemas de navegação, comunicações e redes de distribuição de energia.
Os pesquisadores ressaltam que os redemoinhos não explicam sozinhos as grandes explosões solares, mas representam uma peça importante para compreender como a energia é transportada, acumulada e dissipada na estrela.

Imagem de 2023 do telescópio Daniel K.
Inouye mostra a superfície solar
Divulgação/NSF/AURA/NSO
O principal autor do estudo, David Kuridze, afirmou em entrevista à CNN que a observação surpreendeu até mesmo os especialistas, já que, embora os modelos teóricos previssem as condições para o surgimento da instabilidade, não se imaginava que ela estivesse tão disseminada pela superfície solar.
— A formação de vórtices no Sol tem sido, há muito tempo, uma questão central na física solar.
Pela primeira vez, identificamos tanto a sua origem quanto o mecanismo que os impulsiona — afirma.